Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai sancionar nos próximos dias o projeto de lei de iniciativa do governo que cria a figura de embaixadores "virtuais". São assim chamado por parlamentares, como o senador Roberto Requião (PMDB-PR), os ministros de primeira e segunda classe que atuarão como embaixadores temporários em países com os quais o País não tenha interesse em manter representação diplomática permanente. "É uma sinecura, um arranjo montado sem nenhum critério", criticou Requião. Para ele, a medida, incluída na chamada reforma do Itamaraty, "é totalmente esdrúxula".
O relator do projeto, senador José Sarney (PMDB-MA), presidente da Comissão de Relações Exteriores, explicou que a idéia é assegurar a presença do Brasil em países, como Timor Leste, onde não haja interesse em montar uma estrutura para abrigar uma representação diplomática permanente. Segundo ele, os embaixadores virtuais só receberão em dólares quando estiverem em missão no exterior. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que a iniciativa pode ser vista de forma depreciativa pelos países que receberem os embaixadores virtuais. Ele previu uma cena, numa solenidade diplomática, em que, o embaixador virtual será obrigado a confessar que nem mesmo reside no país onde atua em interesse do Brasil.

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