Brasília, 23 (AE) - O deputado Robson Tuma (PFL-SP) acredita que a CPI tenha chegado ao primeiro caso de lavagem de dinheiro comprovado, após semanas de investigação. O parlamenar sustenta em um relatório que a empresa Iderol S.A - Equipamentos Rodoviários, de Guarulhos, está envolvida em um esquema de "falência fraudulenta", com o objetivo de lavar dinheiro.
A CPI decidiu convocar Marcio Luchesi e Nicolau Ferreira de Morais, representantes legais da empresa, que seriam "laranjas" do esquema. Com um calhamaço de mais de 300 páginas debaixo do braço, Robson Tuma sustenta que a suposta falência da Iderol foi uma forma de os envolvidos enviarem cerca de R$ 80 milhões para o exterior, para pagar supostas dívidas inexistentes.
A avaliação do parlamentar é que a venda da empresa, em estado falimentar, foi uma "simulação" para realizar transferências para o exterior.
A CPI conseguiu vários documentos que comprovariam a fraude. Tuma tem comprovantes de remessas de dinheiro para o exterior. Em 1998, quando a empresa foi transferida para os "laranjas", segundo o deputado, foram feitas seis grandes remessas para outros países. Há depósito de R$ 16 milhões somente em setembro e outro de R$ 10 milhões em outubro do ano passado.
Além de Luchesi e Nicolau, o deputado Robson Tuma decidiu convocar o gerente do Unibanco em Campinas (SP). Segundo Tuma, as transferências foram feitas via Unibanco, Banco Surinvest, do Uruguai, e pelo The First Newland Bank, de Nassau, nas Bahamas.
"Não podemos esquecer que a mesma agência do Unibanco em Campinas tinham depósitos em nomes de laranjas do Esquema PC Farias", disse Tuma. Durante o governo Collor de Mello (1990-92), o esquema do caixa de campanha Paulo César Farias abriu contas na agência nos nomes de Abel Nunes Ferreira, Luiz Mendes Ferrreira, Vítor Batista e José Ricardo Xavier, segundo relatório da CPI.
A CPI do Narcotráfico investiga ainda o envolvimento de outras grandes empresas no esquema de lavagem de dinheiro via falência fraudulenta. O relatório cita a empresa Czarina Calçados, do Rio Grande do Sul, como suposto esquema parecido com o da Iderol.
Esquema - Pelo que a CPI levantou, os laranjas transferem dinheiro em nome da empresa para o exterior e iniciam um processo de "enxugamento" da massa falida. Quando a Justiça de São Paulo decretou o bloqueio dos bens e da contas da Iderol, só foi encontrada uma conta com R$ 542,93, segundo o relatório da CPI, pois todo o patrimônio já tinha sido transferido.
Robson Tuma disse que depois de reconquistada a confiança dos empregados, o esquema anunciou uma "reestruturação" da empresa. A maioria destes esquemas de lavagem de dinheiro envolve os verdadeiros donos, no momento do pedido de falência.
Eles simulam uma venda da empresa e os laranjas transferem tudo o que restou nas contas e no patrimônio, como suposto pagamento de dívidas, que na verdade não existem.
Este esquema é semelhante à lavagem "judiciária", onde uma empresa cobra uma indenização milionária de outra. A empresa da qual é cobrada a dívida perde os prazos no Judiciário e acaba sendo condenada a pagar a dívida.
Ocorre que, na maioria dos casos, a empresa que entrou com a ação é uma subsidiária da empresa que pagou a dívida para o mesmo grupo. A reportagem tentou entrar em contato com Luchesi e Morais, mas não constam telefones em seus nomes. O número telefônico que pertencia à Iderol S.A. - Equipamentos Rodoviários está desligado.

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