Brasília, 23 (AE) - Alda Inês dos Anjos Oliveira , ex-amante do traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, disse hoje, em depoimento à CPI do Narcotráfico, que teve um encontro com ele no fim do ano passado no Paraguai, seis anos depois de ter rompido o relacionamento amoroso.
Esse é mais um indício de que Alda pode ser sócia dos negócios do traficante ou funcionária dele, segundo o relator da comissão
deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Questionado pelos deputados sobre o fato de ter atuado como gerente do tráfico de drogas no Rio, Alda negou-se a responder.
Na avaliação de Torgan, ela confessou que Fernandinho Beira-Mar cometeu três crimes: tráfico de drogas, corrupção de menor e formação de quadrilha. Ela afirmou que esteve com o traficante na "condição de amiga" no exterior e caiu em contradição ao dizer, inicialmente, que o encontro ocorreu no Paraguai.
Logo em seguida, Alda afirmou que esteve com Beira-Mar em Ponta Porã (MS) em 1998, numa fazenda arrendada por ele. Mostrando segurança desde o início de seu depoimento, Alda, que está presa por ter sido acusada de ligação com o traficante, disse que não tem medo de morrer e rejeitou o acordo com a CPI para revelar o que sabe sobre os negócios do traficante em troca da inclusão de seu nome no Programa de Proteção a Testemunhas.
Para ela, o Programa do governo federal "não vai para frente". "Tenho certeza de que não vai acontecer nada comigo." Ela aparentou tranquilidade até mesmo depois de Moroni Torgan ter revelado, em meio ao depoimento, que sua família havia sido ameaçada de morte por meio de um telefonema dado ao 0800 da comissão. Mostrando frieza em relação à provocação dos parlamentares, Alda foi irônica diversas vezes em suas respostas. "Perguntem a ele (Fernandinho Beira-Mar) se ganha mais do que vocês", disse Alda, dirigindo-se aos deputados e negando-se a falar sobre os negócios do ex-amante.
"Não conheço políticos, a não ser quando batem na minha porta nas eleições para pedir", afirmou ao ser questionada pela deputada Laura Carneiro (PFL-RJ) se conhecia deputados do Rio envolvidos com narcotráfico. Alda procurou negar todas as informações prestadas ao Ministério Público no Rio, entre elas a que se refere a um apartamento na Barra da Tijuca onde recebia pessoas vindas do Paraguai e políticos.
"Um homem inteligente não iria falar sobre essas coisas para uma simples mulher", disse, depois de ouvir de Laura Carneiro que ela poderia fazer revelações "de mulher para mulher".
Alda confirmou que foi amante de Beira-Mar há sete anos quando tinha 13 anos de idade na favela Dois Irmãos, em Beira-Mar, onde morava, e que sua mãe, Maria Madalena Bezerra dos Anjos, trabalhou para uma padaria de propriedade do traficante. Em seguida, disse que não sabia que a padaria era do traficante. Bem vestida, Alda disse que vive com dinheiro de sua mãe e recebe uma pensão de seu ex-marido Antônio Alex Souza e Azevedo.

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