PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Gilse Guedes e Sônia Cristina Silva 
Brasília, 23 (AE) - Os deputados da CPI do Narcotráfico querem uma audiência com o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e com o presidente do Tribunal de Justiça, Marcio Martins Bonilha, para pedir apoio aos trabalhos da comissão. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE) se disse hoje preocupado com a liberação pelo Tribunal do advogado Arthur Eugênio Mathias, acusado pela comissão de integrar um suposto esquema do crime em Campinas e com a notícia do suicídio do policial civil Luiz Roberto Lopes, dias antes de seu depoimento.
"Isso não aconteceu em outros lugares", disse Torgan. "Queremos o apoio do governador, do Ministério Público e do Tribunal de Justiça", afirmou hoje o relator da CPI, deputado Moroni Torgan, na abertura da sessão. "Queremos saber quem são nossos parceiros e quem está contrário", afirmou o relator da comissão, dizendo-se certo de contar com o apoio do governador Mário Covas. Ele condenou o fato de Arthur ter sido beneficiado por um habeas corpus. A prisão preventiva por 30 dias do advogado havia sido decretada na quarta-feira, quando o juiz corregedor de Campinas, Paulo Sorci, acolheu requerimento da CPI.
Suspeita - Torgan também colocou em dúvida o suicídio do policial Lopes. Segundo ele, há duas hipóteses: a do policial ter se matado sob pressão, como ameaças a sua família, por exemplo, ou ter sido morto para depois ser montado um cenário de suicídio. "As duas hipóteses são graves e têm que ser investigadas", disse o relator. "Pode ser que alguém tenha dito: você vai à CPI e não vai resistir e depois poderá prejudicar sua família, e, nesse caso, ele pode ter se matado como forma de garantir a segurança aos familiares", questionou. A CPI deverá acompanhar a investigação policial aberta para apurar a morte do policial.
Lopes foi encontrado morto, segundo a polícia, segunda-feira
dentro do banheiro da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), em Campinas. Duas cartas manuscritas, ainda conforme a polícia, comprovariam que ele havia planejado a própria morte. A CPI também decidiu pedir garantias de vida a jornalistas do Correio Popular, que, conforme Moroni Torgan, passaram a ser ameaçados de morte, logo após a comissão ter deixado Campinas.


