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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Félix Alberto Lima (especial para a AE) 
São Luís, 23 (AE) - O deputado estadual Francisco Caíca (PSD) tem mais três sessões ordinárias na Assembléia Legislativa (AL) do Maranhão para apresentar sua defesa nas denúncias de envolvimento com o crime organizado. O processo de cassação do mandato de Caíca foi iniciado na semana passada com a elaboração de parecer da Comissão de Ética da Assembléia.
O deputado foi acusado de quebra de decoro parlamentar ao assumir a co-autoria do assassinato de Carlindo Sousa Cunha em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Caíca admitiu possuir três números de CPF e confessou ter ficado sabendo antecipadamente dos assassinatos dos delegados Jorge Menezes e Stênio Mendonça.
Na terça-feira, Caíca entrou com um pedido de renúncia do mandato, suspenso imediatamente pelo presidente da AL, deputado Manuel Ribeiro (PSD). Segundo Ribeiro, o pedido é inconstitucional porque foi feito após o início do processo.
O advogado Ivaldo Ricci contesta a suspensão. "O pedido foi protocolado na Comissão de Ética no dia 18 pela manhã e o deputado Caíca só foi citado horas depois." Na avaliação de Ricci, o deputado tem direito à renúncia. "Ele prefere se defender como cidadão comum." O advogado afirma que caso a AL mantenha a suspensão da renúncia, a defesa de Caíca será feita segunda-feira, dia 29.
"Nós estamos convictos de que tanto Francisco Caíca como José Gerardo de Abreu estão envolvidos com organizações criminosas no Maranhão", disse o deputado Soliney Silva (PSD), membro da CPI do Crime Organizado. Segundo ele, a tendência na AL é pela cassação de Caíca.
No dia 29 de novembro termina o prazo de defesa do deputado. No dia seguinte, a Comissão de Ética envia o parecer à Comissão de constituição e Justiça, que após avaliação o encaminha para votação em plenário. "A posição dos deputados deve ser a mesma com relação ao processo de Gerardo", explica Soliney Silva. Gerardo foi cassado por 40 votos, dos 42 da AL. Só não votaram o próprio Gerardo e Caíca, que estava de licença para tratamento de saúde.


