Teresina, 23 (AE) - O coronel José Viriato Correia Lima, chefe do crime organizado no Piauí, será ouvido em Brasília pela CPI do Narcotráfico. A decisão foi anunciada hoje pelos deputados Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Cabo Júlio (PL-MG) e Waldemir Moka (PMDB-MT). Os parlamentares estão em Teresina para investigar prováveis ligações entre Viriato e o tráfico de drogas. Numa reunião na Polícia Federal com o superintendente Robert Magalhães, os membros da CPI analisaram documentos dos inquéritos instalados contra o coronel e seu bando. "O que nos foi apresentado é estarrecedor", resumiu Biscaia.
Biscaia disse que "qualquer investigação sobre as ligações entre o crime organizado no Piauí e o narcotráfico depende da audiência do coronel". Ele acha que seria precipitado afirmar que existe conexão entre os criminosos. Entretanto, considera que o exame do que foi apurado, com roubo de cargas e carros, assassinatos, contrabando de armas e outros crimes, pode indicar elos de uma conexão criminosa entre Viriato e o tráfico de drogas.
O deputado Cabo Júlio considera Viriato "peça-chave primordial" para se estabelecer se há ou não uma ação comum entre as quadrilhas. Os deputados não estabeleceram a data em que Viriato será ouvido pela CPI em Brasília. Isso vai depender do plenário da comissão, que vai receber deles um relatório sobre a situação no Piauí. O deputado Waldemir Moka disse que o depoimento do coronel será como testemunha.
Depois de se reunirem na PF por mais de duas horas e meia, os deputados tiveram encontro com o procurador da República Tranvavan Feitosa, com o procurador geral de Justiça, Antônio Linhares e com o promotor público estadual Afonso Gil Castelo Branco. Amanhã (24) eles prosseguem ouvidos autoridades envolvidas na investigação do crime organizado, reunindo-se com o secretário da Segurança, Carlos Lobo e com deputados estaduais. Os três deputados também têm agendado um encontro com o governador Francisco Moraes Souza, o Mão Santa (PMDB).
A possibilidade de ligação entre Viriato e o narcotráfico é admitida pelo procurador Tranvanvan Feitosa, que iniciou as investigações sobre o crime organizado no Piauí. "Há muitos elementos que podem fazer essa conexão. Alguns desses dados não são do conhecimento público por força da lei", explica Feitosa. O secretário da Segurança Pública, Carlos Lobo e o superintendente da PF, Robert Magalhães, também apontam na mesma direção. "No mundo do crime quem faz cabelo faz também barba e bigode", ironiza Lobo, enquanto Magalhães considera que o roubo de cargas e caminhões no Piauí forneceria moeda de troca para os traficantes.
Magalhães informou que depoimentos prestados por bandidos presos na Polícia Civil do Piauí envolvem com o roubo de cargas oficiais da Polícia Militar do Estado e até o ex-secretário da Segurança Pública. Entretanto, ele não quis revelar os nomes, sugerindo que fosse procurado o secretário Carlos Lobo. Lobo recusou-se a comentar as revelações do superintendente, dizendo que precisaria recorrer a documentos na secretaria para dar declarações.

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