Porto Velho, 23 (AE) - Uma investigação que vem sendo feita há mais de um ano pela Polícia Federal em Rondônia pode desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico, envolvendo políticos, policiais e funcionários de bancos. Desde o início do ano, a PF conseguiu prender um delegado, dois policiais civis e um candidato a prefeito de Alvorada D´Oeste (RO), responsáveis pelo envio de cocaína para São Paulo, numa rota semelhante à descrita para a CPI do Narcotráfico pelo traficante Aryzolin Trindade Sobrinho, ligado ao esquema do empresário de Campinas, William Sozza.
A PF em Rondônia está investigando se há ligações entre Sozza e dois grandes grupos de traficantes presos este ano, no Estado. O principal deles é a quadrilha de Maximiliano Dorado Munhoz Filho, o "Max", condenado a 15 anos de prisão por tráfico internacional de 700 quilos de cocaína. Ele era o principal fornecedor de cocaína para Campinas e diversas cidades do interior. Seu irmão, Ozziê Dorado Munhoz, foi preso no mês passado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, com 45 quilos de pasta base de cocaína.
Delegados da PF estão cruzando as informações das rotas feitas por Max para saber se há ligações com outros grupos do interior de São Paulo, principalmente Campinas, onde a CPI do Narcotráfico está investigando o esquema de lavagem de dinheiro supostamente comandado por Sozza. Segundo Aryzolin Sobrinho, a cocaína saia de Rondônia em direção à Campinas e Goiás, em caminhões. A droga era trocada por carretas roubadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
"Hoje temos em torno de 35 presos só de uma quadrilha que usava este mesmo método de tráfico", afirma o superintendente da PF em Rondônia, Wilson Salles Damázio. Segundo ele, o esquema de utilizar caminhões foi feito também pelo traficante paulista Takeshi Seito, que foi preso tentando levar 83 quilos de cocaína em uma carreta para São Paulo. A cocaína vinha de Brasiléia, no Acre, na fronteira com a Bolívia. Seria nesta cidade também que o ex-deputado Hildebrando Pascoal adquiria droga para vender em Rio Branco.
Entre os traficantes presos estão dois policiais civis e o delegado Silvino Alves Filho, titular da delegacia de Alvorada D´Oeste, que foi preso com 15 quilos de cocaína em malotes da Secretaria de Segurança Pública de Rondônia, dentro da viatura oficial. Na mesma cidade, a PF prendeu Roque Cardoso de Oliveira
um dos empresários mais conhecidos da região, dono de 32 fazendas na fronteira com a Bolívia e candidato a prefeito, com quase 80% de aprovação da população.
Oliveira, segundo a PF, fornecia cocaína para o traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o "Ué", um dos líderes do Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Porém, a PF está encontrando dificuldades para acessar as contas bancárias e extratos telefônicos de vários traficantes. A partir do cruzamento das informações é que pretende saber se há ligações com o esquema de William Sozza. "Existe aqui a síndrome do sigilo", observa Damázio. "Não estamos tendo acesso aos arquivos telefônicos nem aos extratos de contas e declarações de renda destas pessoas".
Isso fez com que a PF iniciasse uma investigação em torno de alguns gerentes de bancos de Porto Velho e do interior do Estado
suspeitos de acobertar a lavagem de dinheiro do narcotráfico. A operação, iniciada esta semana, atingirá também casas de câmbio da capital e de Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia.Na semana passada, a CPI do Narcotráfico pediu à superintendência da PF em Rondônia investigações sobre as ligações do narcotráfico local com São Paulo.

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