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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 23 (AE) - O laudo que apontará a causa da morte do investigador Luiz Roberto Lopes deverá ser divulgado amanhã (24). Até hoje, porém, legistas de Campinas e da capital ainda estavam divididos entre a versão oficial, que sustenta a tese de suicídio, e a hipótese de homicídio. O investigador foi citado pela CPI do Narcotráfico e deveria prestar depoimento na próxima sexta-feira, em Brasília.
O diretor do IML de Campinas, Ivan de Mello Pompeo Piza, diz que a trajetória da bala dentro do corpo do investigador é o principal indício de que Lopes pode ter sido assassinado. De acordo com o legista, que participou da necrópsia com peritos do IML de São Paulo, o tiro foi dado de frente para trás, de cima para baixo, e da direita para a esquerda. O disparou atravessou o pulmão esquerdo, provocando morte por hemorragia.
De acordo com Piza, a bala entrou na "região mamária esquerda no segundo arco costal" e saiu na "região infra-escapular esquerda". O diretor do IML de Campinas disse que a trajetória do projétil determina uma "inclinação acentuada". Segundo ele, a inclinação e a direção da bala são incompatíveis com a posição da mão de quem desejasse se matar com um tiro no peito.
"Acho precipitado afirmar que foi homicídio" disse o diretor do Núcleo Clínico do IML de São Paulo, Paulo Vasques. Ele não concorda inteiramente com a interpretação de Piza. Segundo Vasques, a trajetória do projétil constatada no corpo do investigador é compatível com a posição de alguém que pretendesse atirar contra o próprio peito.
"A inclinação do tiro pode variar conforme a posição do corpo", explica. Segundo Vasques, o laudo final levará em conta outros fatores, além da trajetória da bala. Um deles, é o exame residuográfico, capaz de revelar resíduos de pólvora na mão do investigador. Se esse exame der positivo, será um elemento a mais para confirmar a versão de suicídio. A perícia também verifica a existência da chamada "zona de esfumaceamento", que determina a distância da arma no momento do disparo.


