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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 23 (AE) - Às vésperas do 2º Congresso do PT, que começa amanhã (24) em Belo Horizonte, foi lançada hoje na Câmara a candidatura de um terceiro candidato à presidência nacional do partido - que também inaugura uma nova tendência interna, a "Movimento PT". A nova corrente, que pretende ser uma terceira via entre os moderados e os radicais, lançou o deputado Arlindo Chinaglia (SP) à presidência. "Não queremos mais vestir esses figurinos tão apertados dentro do partido, mas ser uma alternativa entre a maioria e a minoria dentro da sigla", disse o candidato.
As pesquisas internas do partido para a eleição que acontece no sábado, contudo, apontam que a vitória deverá ser - pela terceira vez - do atual presidente, deputado José Dirceu (SP), com cerca de 58% das intenções de voto. Dirceu representa a corrente moderada Articulação e a da Democracia Radical, representada pelo líder da bancada do partido na Câmara, deputado José Genoíno (SP). Em segundo lugar, vem o candidato dos radicais, deputado Milton Temer (RJ), com cerca de 33% das intenções de voto.
Em terceiro lugar estão cerca de 12% das intenções de voto à nova tendência petista, agora com Chinaglia como candidato à presidência. O deputado paulista faz parte de um grupo que congrega nomes como de Tarso Genro, dos deputado Geraldo Magela (DF), Paulo Paim (RS), Tilden Santiago (MG), Antônio Carlos Biscaia (RJ) e Padre Roque (PR). Os políticos têm se reunido desde junho, batizados como "Terceiro Campo".
A idéia da nova facção petista é acabar com a política de tendências dentro do PT, com a oposição polarizada entre a Articulação, moderada e a favor das alianças com outros partidos
e a Refazendo, mais radical.
De acordo com o deputado Geraldo Magela, a filosofia do grupo é resultado de estudos que devem continuar após o congresso petista. "Nosso propósito é contribuir para o desblocamento do partido, que hoje é dividido em dois: a maioria, composto pela Articulação e pela Democracia Radical, e da esquerda radical", contou.
Para Magela, nos encontros internos do PT estes blocos ficam divididos e acabam encerrando muitas das discussões sem consenso. "Fica só uma parte contra e outra a favor", diz. "O que queremos mostrar é que o partido é mais rico que isso, de quando um falar o outro ser contra".
Chinaglia, que era da corrente dos moderados, prefere não chamar a "Movimento PT" de uma nova corrente dentro do partido. "No momento não é uma tendência, mas a união de pessoas com idéias parecidas sobre em que o partido poderia melhorar", afirmou. Para o candidato à presidência nacional do PT, o partido está em busca de acabar com "rotulagens permanentes". "O PT é um partido democrático e tem de ter várias tendências para demonstrar isso", defendeu.


