Jerusalém, 23 (AE-AP) - A polícia israelense prendeu hoje (23) o diretor-responsável do tablóide popular Maariv, um dos maiores jornais do país, três meses depois de ele ter sido acusado de armar um complô para assassinar os dirigentes de dois diários rivais e um detetive, informou a Rádio Israel.
A emissora não esclareceu quais são os termos da acusação que levou à detenção. Ofer Nimrodi foi detido depois de os policiais revistarem sua mansão e seu escritório na redação do Maariv, ambos em Tel-Aviv.
Nimrodi deixara a prisão em janeiro, após cumprir 4 meses de uma pena de 8 por ter mandado dois detetives particulares grampearem os telefones do jornal Yediot Ahronot, o mais importante de Israel. De acordo com a imprensa local, a acusação de assassinato teria sido feita em agosto por um deles, Rife Pridan, que cumpre pena de 4 anos de prisão por sua participação no caso de escuta telefônica. Esse escândalo de espionagem abalou a mídia israelense em meados da década.
A cumplicidade de Nimrodi no grampo telefônico conduziu às investigações sobre a tentativa de assassinato. O detetive Pridan teria dito à polícia que Nimrodi tramou o assassinato de uma testemunha - seu sócio, Yaacov Tsur - e planejou matar os editores dos dois maiores rivais do Maariv, o Yediot Ahronot e o Haaretz. Não ficou claro porque ele queria livrar-se deles.
A polícia também interrogou os editores dos dois jornais rivais, Arnon Mozes, do Yediot Ahronot, e Amos Schocken, do Haaretz. Nimrodi disse que as novas acusações não passam de "mentiras perversas" e uma tentativa de Pridan de extorquir milhões de dólares dele.
Um tribunal havia ordenado que o caso tramitasse em segredo, mas os rumores espalharam-se rapidamente em outubro e afetaram o desempenho no mercado de ações da Israel Land Development Co. - holding de um grande número de empresas de Nimrodi, incluindo o Maariv. Depois que a Justiça levantou as restrições às informações sobre o processo, há duas semanas, Nimrodi afastou-se da direção do jornal e da holding.
Nimrodi é filho de Yaacov Nimrodi, empresário do setor armamentista apontado como figura-chave no escândalo Irã/Contras, pelo qual os EUA venderam ilegalmente armas a Teerã, nos anos 70. Em troca, obtiveram a libertação de americanos presos por grupos pró- iranianos no Líbano e repassaram o dinheiro para a guerrilha que lutava contra o regime sandinista na Nicarágua, os contras. Tão logo seu filho comprou o Maariv, em 1992, iniciou uma guerra ferina contra o Yediot Ahronot.
O detetive Pridan e seu sócio, Tsur, trabalhavam para ambos os lados, fazendo escuta telefônica. Um editor do Yediot Ahronot também foi condenado nesse caso de grampo, mas depois apelou e conseguiu anular a sentença.
De acordo com Pridan, Nimrodi pretendia atrair Tsur para um negócio no Sudeste Asiático, onde ele seria morto. Tsur estava para aceitar o serviço, mas na última hora desconfiou e desistiu de viajar.

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