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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Jim Wurst 
NAÇÓES UNIDAS, 23 (AE-IPS) - A ONU admitiu estar encontrando dificuldades para manter a segurança e restaurar os serviços básicos na província sérvia de Kosovo, que hoje (23) recebeu a visita do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.
Em sua primeira visita a Kosovo desde que uma campanha aérea da Otan obrigou as forças sérvias a retirarem-se da província de maioria albanesa, em junho último, Clinton ressaltou que a hora de lutar já passou.
Quando o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, "quis assumir o controle de Kosovo expulsando todos vocês, nós dissemos não", afirmou Clinton perante uns 2.000 kosovares de origem albanesa reunidos em um estádio esportivo da localidade de Urosevac.
"Ganhamos a guerra, mas só vocês podem ganhar a paz", acrescentou Clinton, e pediu para que terminem as represálias contra a minguante população sérvia de Kosovo.
Desde o fim da campanha de 78 dias da Otan, entre 50 mil e 100 mil sérvios fugiram de Kosovo devido a assassinatos revanchistas e outros ataques da população albanesa.
A visita de Clinton coincidiu com informes de que a ONU é incapaz de fazer frente ao caos resultante da guerra.
O jornal The New York Times publicou na segunda-feira, cinco meses depois da instalação em Kosovo de uma força internacional de paz encabeçada pela Otan, sob mandato da ONU, os ataques contra os sérvios continuam e muitos poucos serviços públicos estão funcionando.
"Os incêndios de casas sérvias ocorrem quase diariamente, de maneira organizada, e aumenta a pressão para que a minoria sérvia fuja da província ou forme guetos, rodeados por albaneses hostis que recordam que por anos foram reprimidos", comentou o diário.
A ONU admitiu que enfrenta problemas para reconstruir Kosovo, mas explicou que precisa de mais apoio da comunidade internacional. Até o momento, países doadores só prometeram US$ 1 bilhão para esse fim, que exigiria, segundo estimativas, US$ 18 bilhões.
O artigo do New York Times "está de acordo com minha própria percepção do que ocorre em Kosovo", afirmou o embaixador russo na ONU, Sergey Lavrov, que visitou a província sérvia há duas semanas.
Lavrov disse a jornalista que existe "uma campanha organizada para intimidar a população não albanesa de Kosovo e expulsá-la da província".
Ele acrescentou que as vítimas não são apenas sérvios, mas também católicos, ciganos e albaneses moderados, como os partidários do líder albanês Ibrahim Rugova.
"Todas essas atrocidades acontecem debaixo de nossos narizes", e portanto os administradores civis e militares da ONU em Kosovo "deveriam exercer seu mandato com mais força", opinou Lavrov.
"Não nego os fatos denunciados... Mas não acredito que se devam à incompetência, mas, sim, à complexidade da situação", declarou Fred Eckhard, porta-voz da ONU.
"Não subestimamos tudo o que ainda falta ser feito em Kosovo. Sabíamos que iria ser uma missão muito difícil e que a situação não mudará em poucos meses. Esse vai ser um inverno muito duro para muita gente", adiantou.
"O principal problema é que, só para manter em funcionamento os serviços básicos, precisamos pagar funcionários públicos, e para isto precisamos de contribuições voluntárias", destacou Eckhard.
Os países que prometeram contribuições estão atrasados com os pagamentos. Por isso, a ONU paga os funcionários públicos apenas de meses em meses, explicou o porta-voz.


