Díli, Timor Leste, 23 (AE-AP) - O enviado norte-americano Richard Holbrooke disse hoje (23) que sua missão atraiu a atenção mundial para o sofrimento dos refugiados de Timor Leste, mas que o retorno da multidão que fugiu da violência depende da vontade da Indonésia em cumprir suas obrigações.
"Veremos se os militares indonésios honrarão o acordo com a comissão sobre a fronteira firmado ontem e se a atitude do exército indonésio com relação às atividades das milícias tomará um caminho que gostaríamos que tomasse", disse Holbrooke, em Díli, a capital de Timor Leste.
Holbrooke viajou ontem a Timor Oeste, que pertence à Indonésia, para visitar campos de refugiados de Timor Leste e participar de uma reunião com altos militares indonésios, líderes timorenses e chefes das forças internacionais de paz.
As conversas resultaram em um acordo de fronteira, desenhado para prevenir a repetição de um incidente ocorrido no mês passado, no qual tropas australianas e indonésias trocaram tiros. O acordo também restringirá a atividade da milícia na região e permitirá a volta dos refugiados ao Timor Leste.
Depois do plebiscito sobre a independência da ex-colônia portuguesa, realizado em 30 de agosto, a milícia pró-Jacarta expulsou dezenas de milhares de pessoas de suas casas através da violência.
Testemunhas acusam os milicianos de intimidar os refugiados ao afirmar que as tropas de paz estariam torturando e matando a população de Timor Leste.
Aproximadamente 92 mil refugiados já retornaram a suas casas. Mas cerca de 130 mil continuam em campos de refugiados na fronteira timorense.
Hoje cedo, o Prêmio Nobel da Paz bispo Carlos Belo conclamou os refugiados a não acreditarem nos rumores de abusos de direitos humanos por parte das forças de paz. "Não acreditem nas mentiras contadas pelos milicianos", disse Belo aos refugiados. "Por favor, voltem para suas casas porque a situação já é boa".





