PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 23 (AE) - O Ministério Público Estadual vai apurar porque o delegado titular do 45.º Distrito Policial Julio Kawabi não prendeu em flagrante nem indiciou por homicídio doloso o investigador Antônio Marcelo Jordão Pacheco, acusado de ter assassinado o garoto Pablo Eduardo Ressude, de 9 anos. O menino foi atingido na cabeça com um tiro de pistola 380 disparado por Pacheco, quando brincava com o amigo Danilo, de 10 anos, na Rua Macedônia, na Vila Brasilândia, ontem (22).
Hoje, após a designação da equipe de seis promotores da Promotoria de Serviço Auxiliar e de Informação para acompanhar o caso, o promotor Márcio Sérgio Christiano enviou ofício ao juiz-corregedor da Polícia Judiciária, Benedito Pozzer, pedindo a abertura de sindicância para apurar a conduta do delegado Kawabi.
Também o delegado-geral Marco Antonio Desgualdo determinou à Corregedoria da Polícia Civil a abertura de sindicância para verificar se Kawabi agiu corretamente. "Vamos investigar se o delegado errou ou não ao lavrar a ocorrência como homicídio culposo e em que cinscunstâncias o fato chegou à autoridade policial", disse. "Caso seja comprovado que houve erro, o delegado será responsabilizado", acrescentou.
Pacheco foi afastado do serviço de rua. Está exercendo apenas trabalho burocrático e teve a carteira funcional, as algemas e a arma apreendidas. "Ele só voltará às ruas quando as investigações forem concluídas", informou Desgualdo.
Após esclarecer que tivera conhecimento do crime apenas pela imprensa, Christiano afirmou que "houve pelo menos dolo eventual". "Se não houve intenção de matar, o policial, ao fazer vários disparos, sabia do risco de provocar a morte de um dos meninos."
"Os relatos feitos por moradores garantem que o investigador efetuou vários disparos, o que significa que ele sabia do risco de atingir um dos meninos", ratificou o promotor Carlos Cardoso, assessor da Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual.
Indignação - Cardoso entende que, se o delegado tivesse ido ao local do crime e ouvido as testemunhas, "teria indiciado o investigador por homicídio doloso, já que houve a intenção de matar". O promotor não acredita na versão do investigador, de que ele teria dado apenas um tiro na direção do chão do quintal de sua casa e o projétil teria resvalado para a lateral do portão de aço e atingido o menino. "Essa afirmação foi veementemente rechaçada pelo moradores que, indignados, depredaram a casa do investigador."
"Mesmo assim a versão dele deve ser levada em consideração e, por isso, o Ministério Público vai pedir a reconstituição do crime, com base na versão do policial civil e do menino Danilo, que presenciou o crime", informou Cardoso.


