Belém, 23 (AE) -O fazendeiro Jerônimo Alves Amorim, acusado de ser o mandante do assassinato, em 1991, de Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, foi preso ontem (22), no México, por agentes da Interpol e da Polícia Federal. Havia três mandados de prisão contra ele expedidos pelo Tribunal de Justiça do Pará - pela morte de Souza e de dois comerciantes da região. Amorim era procurado há cinco anos. Amorim trabalha e vive na cidade de Goiânia (GO), onde mora com a família.
O delegado José Sales, da Polícia Federal em Belém, informou que o fazendeiro vinha sendo seguido pela PF desde junho passado, quando o órgão foi oficialmente acionado pela Justiça. Amorim, segundo a PF, estava no México com documentos de identidade falsos e foi reconhecido numa praia de Cancúm, onde havia desembarcado de um transatlântico com vários turistas. Ele viajou hoje do México para São Paulo e embarca amanhã (24) para Belém, onde será julgado pela morte do sindicalista.
O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Rio Maria, frei Henri des Rosiers, disse hoje que a prisão do fazendeiro é resultado de um trabalho "muito eficiente" da Polícia Federal brasileira. "Todos em Rio Maria e no Pará sabiam que ele vivia tranquilamente em Goiânia, mas a Polícia Civil paraense jamais foi lá prendê-lo".
O sindicalista Expedito Souza foi morto com quatro tiros pelas costas, dados pelo pistoleiro José Serafim Sales, o Barreirito, que atualmente cumpre pena de 20 anos de prisão na penitenciária de Americano, em Santa Isabel do Pará. Amorim, dono da fazenda Nazaré, em Rio Maria, acusava Souza de incentivar e liderar as invasões de terra no município. A morte dele deu origem à criação do Comitê Rio Maria, de direitos humanos, que tem núcleos espalhados pelos Estados Unidos e Europa.

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