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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Marcelo Goto 
São Paulo, 23 (AE) - Munidos de duas pistolas e uma granada de uso exclusivo do Exército, dois ladrões assaltaram ontem à noite a casa da gerente do Banco do Brasil Liliane Taranto Cassone, de 43 anos, na Lapa, zona oeste de São Paulo. O assaltante que abordou a gerente vestia um uniforme dos Correios.
Segundo o ex-marido da vítima, o engenheiro Giancarlo Cassone, Liliane chegou em casa às 19h40, no seu Tempra prateado
acompanhada de uma amiga, que estava num Fiat Uno. A bancária parou o Tempra na garagem e, enquanto aguardava a amiga estacionar o Uno, deixou o portão aberto.
Um dos assaltantes, conhecido como Mauro da Pompéia, aproximou-se, dizendo ter uma entrega. Ele vestia uma camisa amarela com o emblema dos Correios e carregava uma caixa de papelão.
Para surpresa de Liliane, em vez de correspondência, o carteiro puxou de dentro da caixa uma granada e a pistola, anunciando o assalto. Em seguida, chegou o cúmplice Amarildo Maia, de 36 anos, também de pistola em punho, e ordenou às duas que entrassem na casa.
Telefone - Nesse momento, Carolina, uma das filhas da gerente, que conversava ao telefone com o namorado, percebeu o assalto e, antes de desligar, contou o que estava acontecendo. O rapaz ligou imediatamente para a empresa de Cassone e avisou os irmãos Ronaldo e Renato Moreno, sócios do engenheiro. Eles telefonaram para a polícia e foram para o local, junto com um empregado da firma. Dentro da casa também estavam outra filha de Liliane, Fernanda, de 14 anos, e a mãe da gerente, Hermantina DAguano, de 73 anos.
Ao chegar à casa, o grupo viu uma mulher deixando o local a pé. O funcionário de Cassone foi averiguar o que estava ocorrendo e acabou dominado pelos ladrões. "Logo que entrei, eles apontaram as armas para minha cabeça e disseram para eu acalmar as mulheres", contou o funcionário, que não quis se identificar. "Aí eu disse: mas quem vai me acalmar?"
Cofre - Segundo o rapaz, a intenção dos assaltantes era levar Liliane no Tempra e obrigá-la a abrir o cofre da agência Trianon do BB, na Avenida Paulista, onde a gerente trabalha. O plano só não foi levado adiante porque os criminosos foram avisados, pelo celular, de que dois policiais civis vigiavam a residência. "Eles sabiam tudo da família", contou. "Até perguntaram da outra filha de Liliane, que não estava na casa."
De posse de uma caixa cheia de jóias e dois celulares das vítimas, os assaltantes deixaram a casa a pé, mas passaram a ser seguidos, de carro, pelos sócios de Cassone. Na Rua Sepetiba
Maia, que estava com a caixa e a granada, foi dominado por Renato e acabou sendo preso por policiais militares. Mauro da Pompéia conseguiu escapar.
Maia é fugitivo do presídio de Franco da Rocha, onde cumpria pena de 15 anos de prisão por furto, roubo e tráfico de drogas. Detido havia 14 anos, ele já recebera o benefício do regime semi-aberto.
Fila vip - Há dois anos, Liliane foi parar no 78º Distrito Policial, nos Jardins, sob a acusação de cobrar propina de R$ 5,00 de clientes para deixá-los ficar numa fila vip na agência. O office-boy Euclides Nunes da Silva prestou queixa contra a gerente, que alegou cobrar a taxa para um "serviço de atendimento opcional". O caso foi arquivado em outubro de 1997.


