Ribeirão Preto, SP, 23 (AE) - O consórcio Ambient retoma na quinta-feira, em Ribeirão Preto, as construções de duas estações de tratamento de esgoto (ETEs) que ficaram paradas por cerca de dois anos. As obras serão reiniciadas devido ao acordo firmado com o grupo espanhol OHL (Obrascón Harte Lain), uma construtora e prestadora de serviços nesse segmento.
Serão investidos R$ 52 milhões pelo consórcio, que entregará uma das estações no próximo ano e a outra até o final de 2001, possibilitando a despoluição do Rio Pardo, uma das principais bacias hidrográficas da região de Ribeirão Preto.
A obra, que irá tratar 100% do esgoto da cidade, foi licitada e iniciada ainda na administração anterior, do ex-prefeito Antônio Palocci Filho (PT), que a considerou como uma das mais importantes de seu governo. Porém, a Ambient, liderada pela empresa Rek, de São Paulo, foi surpreendida com a saída de um grupo americano, afetado pela crise asiática. Sem o aporte de capital estrangeiro e sem o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a construção foi paralisada.
Pelo atraso no cronograma das obras, o consórcio foi notificado e multado em R$ 10 milhões, o que dificultou a negociação com outros empreendedores. O Grupo Leão & Leão, de Ribeirão Preto, interessou-se, mas desistiu no início deste ano devido à multa. Então, para evitar problemas jurídicos e não ser cobrado depois, o prefeito Luiz Roberto Jábali (PSDB) obteve dois pareceres de especialistas favoráveis ao cancelamento da multa e enviou um projeto de lei à Câmara, que o aprovou, reduzindo em 70% o valor cobrado, além de um dos artigos conceder a isenção total, alegando que a cobrança seria dispensada caso se tornasse inviável ou fosse de interesse público.
"Aquele valor inviabilizaria a sequência das obras", afirmou o presidente da Ambient e diretor da Rek, Roberto Carlos Kurzweil. "Os equipamentos serão comprados no Brasil, pois ficaria inviável importarmos", avisou o diretor da OHL, Jaime Andreu Serra - o grupo espanhol também fabrica as máquinas de tratamento de esgoto. A OHL adquiriu 49% das ações ordinárias da Ambient, enquanto a Rek mantém 51% - a CH2MHill, que também participa do consórcio, possui apenas ações preferenciais.
Até o momento, apenas 15% das obras foram executadas. A estação Caiçara, de menor porte, será entregue em agosto de 2000
enquanto a Ribeirão Preto ficará pronta em novembro de 2001. Entre a primeira e a segunda, será realizado um período de testes, sem a cobrança de tarifas da população. O investimento do consórcio será ressarcido através das tarifas, durante 20 anos, mas o contrato vale a partir da assinatura do contrato, ou seja, desde 1995 - o período de paralisação das obras está sendo computado, a não ser que ocorra uma renegociação do prazo com prefeitura no futuro. Ribeirão Preto despeja, por dia, entre 27 mil e 30 mil toneladas de esgoto no Rio Pardo.

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