São Paulo, 23 (AE) - O vereador Devanir Ribeiro (PT) apresentou hoje pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncia de formação de um complô de vereadores contra a equipe que comanda as investigações da máfia dos fiscais.
Ribeiro conseguiu 27 assinaturas de colegas de quase todos os partidos, mas o requerimento deve ser votado só na semana que vem. Ele precisa do apoio de 28 vereadores para conseguir aprovar e instalar a CPI na frente de outros pedidos anteriores.
Na prática, devem ser feitas duas votações. A primeira para que a comissão tenha preferência, apesar da fila de pedidos; a segunda para sua instalação. "Existe uma fita com as denúncias; o objetivo da CPI é ouvi-la e apurar as supostas irregularidades; se encontrarmos algum vereador envolvido ele terá de sofrer as consequências", afirmou Ribeiro.
"Da mesma forma, o autor das denúncias terá de prová-las; caso contrário, também merece punição." O petista referia-se ao vereador José Izar (PST), que teria citado nomes de vereadores, numa conversa supostamente gravada pelo delegado Romeu Tuma Junior.
As conversas de Izar - que escapou da cassação na CPI dos Fiscais - com o delegado irritaram seus colegas. A ponto de alguns vereadores estarem, agora, articulando a cassação de seu mandato.
Quando esteve ameaçado de perder a vaga, em seu depoimento de defesa no plenário, Izar disse ter na Casa "35 amigos na mão". Hoje, ele passou o dia tentando convencê-los de sua inocência, mas se recusou a dar entrevista.
No plenário, conversou com vários vereadores, entre eles o líder do governo na Câmara, Brasil Vita (PPB). "Não tenho o que conversar com ele", disse o pepebista, sobre o assédio de Izar. "Mas também não acho que possamos ter CPI para qualquer coisa; estou fazendo minhas próprias investigações sobre esse caso e, se meu nome tiver sido citado, vou tomar providências drásticas."
Perueiros - O vereador Carlos Néder (PT) recusou-se hoje a revelar o nome dos vereadores envolvidos em denúncia apresentada por ele, ontem, ao Ministério Público. Néder entregou nove fitas que comprovariam a existência de vários esquemas de fraude na concessão de licença para o funcionamento dos lotações.
Ele recebeu pedido formal da presidência da Câmara para apresentar os colegas citados, mas anunciou que não faria nenhuma revelação. "Não cabe a mim divulgar nada, mas ao Ministério Público", disse. "A procuradoria, porém, pediu sigilo e eu nem guardei cópias das fitas, assim como, na representação apresentada ao Ministério Público, não cito ninguém, nem entrei em detalhes para não prejudicar a investigação."
Néder estuda a hipótese de solicitar a abertura de CPI sobre o caso, mas quer aguardar os primeiros resultados da apuração da procuradoria.

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