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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 23 (AE) - O Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), órgão ligado ao Ministério do Esporte e Turismo, favoreceu entidades esportivas e empresas na concessão de autorizações de bingos este ano, além de permitir até o funcionamento de máquinas de videopôquer e apresentar grave desorganização interna. É o que constatou auditoria da Secretaria Federal de Controle do Ministério da Fazenda concluída no fim de outubro e enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Polícia Federal (PF).
As irregularidades nos bingos já levaram o Ministério Público a impetrar uma ação de improbidade contra o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. E, no domingo, Greca recebeu outro duro golpe: o ex-ministro dos Esportes Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, acusou seu substituto de envolvimento no caso. "Ele (Greca) está envolvido, vai ter que explicar", disse Pelé, durante o programa Bola na Rede, na Rede TV!.
Pelé afirmou que a crise é ruim para o esporte e "para o presidente Fernando Henrique". Greca, por meio de assessores, disse que não vai comentar as declarações. Para o ministro, Pelé só merece "homenagens e respeito".
Uma das entidades favorecidas, segundo os auditores federais, foi a Federação Paranaense de Futebol de Salão, que recebeu autorização para explorar bingo eletrônico 22 dias após protocolar o pedido no Indesp. "O trâmite deste processo deu-se de forma acelerada, considerando-se o nível do desempenho do setor", registrou a auditoria, informando que o pedido da federação paranaense foi o único analisado pelo Indesp até setembro, apesar de haver outras cinco solicitações semelhantes.
De acordo com o levantamento, os prazos médios para autorização de outras modalidades de bingos pelo instituto eram bastante superiores a 22 dias. No caso do bingo eventual, 52 dias; no bingo permanente, 140 dias; e no credenciamento de instituições para obter a autorização, 117 dias. Assim, os auditores concluíram que houve "priorização no atendimento às entidades que exercem pressão no andamento de processos".
A auditoria constatou que o ex-diretor de Administração e Finanças do Indesp, Luiz Antônio Buffara de Freitas - homem da estrita confiança de Greca -, favoreceu a Federação Brasileira de Vela e Motor.
Isso ocorreu em 9 de agosto, quando Buffara assinou parecer jurídico e certificado de autorização para bingo eventual no lugar do então presidente do Indesp, Manoel Tubino.
Mas, nesse dia, Tubino não estava oficialmente afastado do Indesp e, como Buffara admitiu em sua resposta aos auditores, chegou ao instituto por volta das 17 horas. Buffara alegou desconhecer a agenda de Tubino naquela data.
Para os auditores, "o não afastamento oficial do titular do órgão desautoriza a substituição do mesmo e invalida os atos praticados em seu nome".
Em 12 de agosto, o Indesp concedeu habilitação à empresa Brasbin Comercial Importação e Serviços Ltda. para o funcionamento de máquinas proibidas de videopôquer, conforme manual técnico da máquina. Além disso, o descontrole no instituto permitiu que 83 dos 197 certificados emitidos em 1999 não fossem publicados no Diário Oficial.


