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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Juliana Junqueira 
São Paulo, 23 (AE) - Os alunos das escolas do interior revelaram desempenho melhor que os da capital e da Grande São Paulo, o que seria um reflexo da influência positiva que a comunidade produz nas escolas. Esta é uma das conclusões da análise divulgada hoje pela Secretaria de Estado da Educação com base nos três resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) , que começou a ser aplicado em 1996.
As escolas da rede estadual de São Paulo, apesar de oferecerem hoje um nível de ensino considerado médio, apresentaram em 1998 desempenho melhor do que em 1996. De acordo com a análise, a maior parte das escolas alcançou, em 1998, média entre 60 e 70, em uma escala de habilidades organizada até 100. Em 1996, esta média ficou entre 40 e 50. O levantamento foi feito a partir do resultado das provas do Saresp, aplicada a alunos da rede estadual. No ano passado, 947.036 estudantes passaram pela avaliação.
A análise mostrou que os alunos estão dominando habilidades mais complexas em comparação a 1996. Essas habilidades foram elaboradas com base nas matrizes curriculares da rede estadual. O que faz a diferença entre as escolas que obtiveram desempenho alto no Saresp em relação às outras instituições: no caso dos alunos da 3.ª a 5.ª séries, as aulas de recuperação e de reforço escolar, o hábito da leitura e a diminuição da repetência contribuíram para melhorar o desempenho dos alunos. A expectativa de prestar vestibular, o hábito de leitura e a auto-avaliação positiva dos alunos revelaram melhorar a performance dos jovens da 7.ª série do ensino fundamental ao 1.º ano do ensino médio.
Os resultados da análise vão nortear as políticas educacionais da Secretaria no próximo ano. As escolas receberão um relatório descritivo sobre seu desempenho em relação às outras instituições. Esse relatório oferecerá indicativos sobre as melhorias necessárias na escola. "A análise servirá para as escolas elaborarem o planejamento para o próximo ano", disse Rose Neubauer, secretária de Estado da Educação de São Paulo. "As diretorias de ensino também terão subsídios para preparar os planos de capacitação dos alunos."
Diagnóstico - O Saresp, criado em 1996, faz um diagnóstico do desempenho dos estudantes no aprendizado de conteúdos e no desenvolvimento de habilidades. Já foram feitos três levantamentos no Estado. Como a prova é feita no início de cada ano, o conteúdo avaliado refere-se sempre ao do ano anterior.
Em 1996 participaram da avaliação os alunos das 3.ª e 7.ª séries. O Saresp avaliou, então, o conteúdo e as habilidades adquiridas no ciclo básico (1.ª e 2.ª séries) e na 6.ª série. Em 1997 e 1998, os mesmos alunos passaram por novas avaliações.
Como a Secretaria nunca havia feito este tipo de avaliação, a análise considera apenas os resultados do Saresp que, além da prova, inclui um questionário respondido pelos alunos e outro pelas escolas. A Secretaria só tem dados para medir o desempenho nos últimos três anos. Já está sendo elaborada uma nova série de avaliações, que começará no ano que vem. "A partir dos novos dados, teremos instrumentos para comparar as melhorias no ensino em períodos diferentes", explica Rose.
O exame aplicado trouxe algumas surpresas. Uma delas refere-se ao desempenho dos alunos das 5.ª séries diurno e noturno. Eles apresentaram os mesmos indicadores de desempenho, contrariando a expectativa de que os estudantes do diurno teriam melhor desempenho que os do noturno. Em Matemática, por exemplo, os estudantes acertaram em média 60 habilidades, entre as cem propostas.
As habilidades avaliadas estão descritas nas matrizes curriculares da rede estadual de acordo com as séries. Na descrição da escala de habilidades em Língua Portuguesa para os estudantes da 3.ª, 4.ª e 5.ª séries, por exemplo, o domínio das regras ortográficas corresponde ao nível 40 de habilidade. Para conquistar o nível 85, é necessário que o aluno saiba inferir o sentido de uma palavra a partir do seu contexto, interpretar informações contidas em um texto informativo e identificar a idéia central de um texto.


