São Paulo, 23 (AE) - Decididos a acampar no Palácio dos Bandeirantes se fosse necessário, cerca de 250 integrantes da Associação Pró-Moradia da Zona Sul fizeram hoje, durante quase todo o dia, uma manifestação que complicou bastante o tráfego na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima. Uma mulher grávida sentiu-se mal e foi socorrida. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada para dispersar os manifestantes, mas ninguém se feriu.
Os integrantes da associação iniciaram o protesto por volta das 6h30, "concentrando-se" entre as Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças. Depois disso, seguiram para a Secretaria de Estado da Habitação, onde pretendiam reivindicar a assinatura de contratos para a construção de casas populares . Lá, os líderes foram recebidos pelo secretário-adjunto Miguel del Busso
mas não houve acordo.
Os reflexos no trânsito apareceram nas primeiras horas da manhã, agravados pelo movimento intenso nesse horário. Às 9h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou o quarto maior índice de lentidão do ano, no período da manhã. Os problemas estenderam-se entre as Avenidas Eusébio Matoso, Francisco Morato, Rebouças, Jorge João Saad e Brigadeiro Faria Lima.
Grávida - Por volta do meio-dia, uma mulher que está no oitavo mês de gestação, sentiu-se mal dentro de um ônibus, na Rua Eugênio de Medeiros, em Pinheiros. Zineide Souza da Silva foi socorrida por policiais militares e levada ao Hospital das Clínicas. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do hospital, ela foi internada no Setor de Obstetrícia, mas não chegou a entrar em trabalho de parto.
Bombas - Às 15 horas, quando os manifestantes ameaçavam bloquear um retorno da Avenida Brigadeiro Faria Lima na Praça Luís Carlos Paraná, a Tropa de Choque da Polícia Militar chegou para dispersar a manifestação. Foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo. A atitude da polícia revoltou os manifestantes, que passaram a gritar contra os policiais e a criticar o governador Mário Covas (PSDB).
O protesto foi encerrado com a chegada do diretor de Mutirões da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Edson Marques. Ele marcou para amanhã (24) uma reunião com os líderes do movimento. Os manifestantes abandonaram a idéia de prosseguir com a passeata até o Palácio dos Bandeirantes e decidiram dar uma "trégua" ao governo do estado. "Mas se não houver nenhuma decisão, segunda-feira estaremos de volta e aí ninguém tira a gente daqui", afirmou o presidente da associação, José Valdeci Evangelista.
Os manifestantes foram à secretaria reivindicar a assinatura dos contratos que vão permitir o início de obras de mutirão em Embu das Artes, na Grande São Paulo. De acordo com Evangelista, a assinatura dos contratos foi prometida para a primeira quinzena deste mês por Busso, mas nada foi feito até agora. "Nos cinco anos de governo do Mário Covas nós não construímos uma casa sequer."
De acordo com ele, há cerca de um ano, deveriam ter sido iniciadas as obras para a construção de 160 unidades habitacionais em Embu, o que não ocorreu. Também não começaram as obras no Jardim São Luiz, na zona sul, onde devem ser entregues 700 casas. "Na verdade, estão enrolando a gente desde o início do governo, no primeiro mandato do governador."
Acampamento - Aos 64 anos, a dona de casa Josefa de Jesus Barros mostrava disposição para acampar em frente do Palácio dos Bandeirantes, caso isso fosse decidido pelos manifestantes. Num saco, carregava "coberta e acolchoado" e dois guarda-chuvas, um para ela e outro para a filha, de 21 anos. Há cinco anos, ela mora em uma casa alugada na região de Embu, mas tem o sonho de construir a própria casa. "Pela minha idade, eu não devia mais fazer essas coisas, mas eu enfrento tudo pela minha casa."

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