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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 23 (AE) - O governador do RJ, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que a polícia vai redobrar a atenção para evitar fugas de presos no Estado, mas não haverá reforço do policiamento. O governador fez a afirmação após abertura do Seminário Internacional sobre Reforma da Polícia e Políticas de Segurança. Três horas mais tarde seis presos fugiram do presídio Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, para onde o traficante José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, foi transferido hoje à tarde.
Nos últimos três dias duas fugas foram frustradas no Estado. Na noite de segunda-feira a direção do presídio de segurança máxima Bangu 3 descobriu um túnel de 28 metros de comprimento e 50 centímetros de largura cavado pelos detentos. No domingo, 248 presos da 134.ª Delegacia de Polícia (Campos, norte fluminense) fizeram um carcereiro como refém e exigiram armas e carros para fugir. "Isso sempre vai ocorrer mas a determinação do governo é clara: não negocio com bandido", afirmou Garotinho.
Os presos do Plácido de Sá Carvalho - onde ficam os detentos que cumprem pena semi-aberta - fugiram por um bueiro no pátio do presídio. Eles se arrastaram pela rede de esgoto até um rio próximo. O secretário de Justiça, Sérgio Zveiter, determinou a abertura de sindicância sumária para apurar se houve negligência ou participação dos agentes penitenciários. Vinte guardas estão sob suspeita. O diretor do presídio Bangu 3, Albino Pinto, fazia vistoria nas celas da galeria B, na noite de segunda-feira, quando encontrou o túnel sob uma cama de concreto
na cela 3. O subsecretário de Justiça, Albino Pinto, que responde pela corregedoria do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), não acredita na participação dos guardas na tentativa de fuga.
De acordo com Pinto, o túnel foi cavado pelo sequestrador Fernando de Pádua Filho, condenado a 23 anos de prisão, com a cumplicidade dos outros 64 presos da galeria. "Durante o dia as portas das oito celas ficam abertas e eles escondiam a terra em outras celas", contou o subsecretário. "Esse sequestrador fez um túnel de 100 metros no Presídio de Ilha Grande (desativado), mas acabou recapturado na ilha". Pádua Filho será processados por danos ao patrimônio público. A pena dele pode ser acrescida de seis meses a três anos de detenção.
Os quatro presídios de segurança máxima do Complexo de Bangu foram erguidos pela construtora Carioca Engenharia. Os pisos deveriam ter sido feitos com um concreto especial - mistura de cimento e granito -, que impediria túneis. Mas a descoberta, em julho, de um buraco de oito metros cavado em uma das celas no presídio Bangu 2 levantou a suspeita de que o material usado não seria o mesmo pelo qual o governo pagou. A Carioca Engenharia foi intimada a apresentar um laudo sobre o material do piso, mas isso ainda não ocorreu. Hoje o subsecretário Pinto chamou a perícia de engenharia do Desipe para examinar o túnel cavado.


