São Paulo, 23 (AE) - Os donos de carros que pagaram a despachantes para licenciar seus veículos sem pagar multas e o Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) poderão ser indiciados sob acusação de corrupção ativa. A informação é do delegado Antônio Mestre Junior, chefe da força-tarefa montada pela Polícia Civil para investigar o esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo.
"É obvio que a maioria deve ter agido de boa-fé, sendo iludida por despachantes desonestos, mas aqueles que sabiam serão indiciados; é preciso atingir o corruptor e não só o corrupto", afirmou. Hoje Mestre Junior assumiu a direção da Corregedoria do Detran.
O delegado reuniu-se com o diretor do órgão, Francisco Leigo. Após a reunião informou que vai analisar os cerca de 10 inquéritos e sindicâncias instaurados nos últimos 120 dias pelo órgão. Ele pretende levar todas essas informações aos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado.
Mestre Junior espera terminar de compor a equipe com a qual trabalhará no caso até a sexta-feira. "Pretendo escolher delegados especializados na análise desse tipo de caso." Ele quer a ajuda de representantes da Secretaria Estadual da Fazenda
da Receita Federal e de outros órgãos municipais e estaduais interessados na apuração.
Nosso trabalho será muito difícil, um desafio grande", disse. De acordo com ele, a investigação deverá começar pelas denúncias já existentes. Após a descoberta dos corruptos, a idéia é, por meio da análise dos arquivos informatizados do Detran, descobrir o proprietário do veículo e o despachante que fez o trabalho. "Se pouparmos o corruptor, nada impedirá que ele tente corromper outros funcionários." Caso o nome de algum policial apareça envolvido no esquema, a Corregedoria da Polícia Civil será avisada e dará continuidade a apuração. No casos dos funcionários administrativos do Detran, essa investigação ficará a cargo da corregedoria do órgão. "Vamos trabalhar em conjunto", afirmou Mestre Junior.
O delegado informou que foi requisitada à Prodesp a relação de desbloqueios de multas e de IPVA que serviram para a confecção de licenciamentos irregulares de veículos - para licenciar um carro é preciso pagar multas e IPVA atrasados. De acordo com as investigações do Gaeco e da polícia, o esquema de corrupção do Detran fazia desaparecer dos computadores do órgão a informação sobre o bloqueio por até 15 dias, período no qual o carro era licenciado sem que o novo proprietário pagasse o que era devido.

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