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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 23 (AE) - A força-tarefa dos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Civil prendeu hoje o homem suspeito de ser o responsável pelo recolhimento da propina paga por despachantes nos postos avançados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo, instalados em shoppings . Segundo o promotor Arthur Pinto de Lemos Junior, do Gaeco, o investigador da Polícia Civil Fernando Lopes Airosa disse, ao ser detido, que só recolhia envelopes nos postos e desconhecia seus conteúdo.
A prisão temporária do investigador, por cinco dias, havia sido decretada ontem (22) pelo juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, diretor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Areosa foi apontado pelo agente policial Mário Paviani, preso na semana passada, como o homem para quem ele entregava o dinheiro arrecadado no posto avançado do Detran no MorumbiShopping.
A propina seria dada por despachantes interessados em transferir e licenciar irregularmente veículos sem que houvesse o pagamento das multas e do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos (IPVA) atrasado. Para isso, eram retiradas dos computadores do Detran as informações sobre as multas e sobre o imposto por até 15 dias, tempo usado para que o licenciamento irregular fosse feito.
Segundo Paviani, ele repassava R$ 300,00 toda semana para seus chefes dentro de um envelope e os outros funcionários do posto também eram obrigados a entregar a mesma quantia. Com isso, arrecadava-se, segundo o promotor José Carlos Guillen Blat
R$ 1.200,00 por semana no MorumbiShopping. O pagamento era feito em dinheiro. Ainda de acordo com o agente policial, Areosa reclamava muito quando passava no posto e não recebia o dinheiro. Por ter colaborado com as investigações, Paviani foi solto após ser interrogado e indiciado por corrupção ativa.
Prisão - A prisão do investigador Areosa ocorreu no meio da tarde. Embora estivesse de férias, ele, que trabalha oficialmente como conferente no Detran, estava na sede do órgão. "Recebemos a informação e fomos cumprir o mandado de prisão", afirmou o promotor. O acusado foi surpreendido na sala onde normalmente trabalha, conversando com um outro funcionário do órgão.
Da operação do Gaeco participavam também um delegado da Corregedoria da Polícia Civil e outro da Corregedoria do Detran. Areosa não resistiu à prisão. Primeiro negou saber qualquer coisa. Depois, em uma conversa, admitiu apanhar os envelopes semanalmente. Disse também aos promotores para quem ele entregava o dinheiro.
Acusados - De acordo com o depoimento de Paviani, o dinheiro recolhido por Areosa era repassado para um superior, que fazia a distribuição para outros integrantes do esquema. Ao todo, o agente policial citou os nomes de quatro policiais civis
todos do Detran. O Ministério Público quer saber, agora, quais os outros postos avançados do Detran que também eram visitados por Areosa - são 14 na capital.
Após a detenção os promotores e policiais revistaram a sala onde estava Areosa e apreenderam alguns documentos. Depois, o levaram para seu apartamento, na Penha, zona leste, que também foi revistada, mas nada foi encontrado.
Sigilo - De acordo com o promotor, o acusado, que deve permanecer no Presídio Especial da Polícia Civil, será interrogado amanhã (24). O Gaeco deve pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Areosa, Paviani e dos outros acusados de envolvimento com o esquema de corrupção do Detran. "A investigação já conseguiu pular o balcão e entrar no Detran", afirmou Blat.


