Recife, 23 (AE) - Um projeto de revitalização das áreas de caatinga degradadas foi apresentado hoje a representantes do Fundo Ambiental Global, GEF, pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. O projeto prevê o reflorestamento e reconstituição da vegetação nativa e é o primeiro acordo firmado com o GEF no âmbito do Plano Nacional de Combate à Desertificação, PNCD.
Considera-se que o sertão nordestino tem 1,5 milhão de quilômetros quadrados sob risco de desertificação, sendo 180 mil quilômetros quadrados já em processo de degradação grave ou muito grave. Cerca de 18 milhões de pessoas vivem na região de risco. A vegetação de caatinga normalmente é explorada por pequenos agricultores, sem demonstrar exaustão, sobretudo na criação de bovinos e caprinos. Mas apresenta sinais de degradação em algumas regiões, onde os solos são mais frágeis ou a carga de animais por área aumentou muito nos últimos anos. Estas serão as áreas prioritárias para o projeto com o GEF.
Outros projetos - O Brasil não está apenas em compasso de espera, aguardando recursos dos países ricos. Entre 1995 e 1996, consultores do Ministério do Meio Ambiente, MMA, fizeram o diagnóstico da desertificação no País para produzir um relatório nacional. Durante este trabalho, fizeram reuniões com ampla participação popular nos 4 núcleos onde a desertificação é mais grave: Gilbués (PI), Seridó (RN, Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE). E já iniciaram o combate localizado à degradação, atacando os problemas mais imediatos e com maior efeito multiplicador.
"As ações são pequenas e localizadas, mas representativas, porque atendem a uma demanda local e envolvem as comunidades", argumenta Heitor Matallo Júnior, coordenador do diagnóstico e das diretrizes do PNCD. Um bom exemplo é o de Gilbués, onde 84 pequenos produtores, com uma média de 100 hectares de terra cada, reuniram-se para comprar um trator e fazer o preparo da terra. "Percebemos que um único tratorista - na verdade um motorista de caminhão - poderia ser determinante para agravar ou amenizar os processos erosivos de 8 mil hectares", conta Matallo Jr. "Então chamamos um técnico especializado em conservação de solos, do Paraná, e fizemos um treinamento intensivo deste tratorista".
Também se formou uma comissão de meio ambiente no município de Gilbués e, com apoio do MMA, criou-se o primeiro conjunto de leis municipais de combate à desertificação do País, em vigor desde 1997. Em Irauçuba, os consultores financiaram a reativação de uma estação experimental de tecnologias de combate à desertificação, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa. Em Seridó, financiam um agrônomo para percorrer as propriedades rurais e dar assistência técnica para tecnologias de conservação da água e do solo. Em Cabrobó, o apoio foi para uma organização não-governamental local, ASPTA, que está avaliando tecnologias alternativas de captação e conservação de água de abastecimento, para divulgar as mais eficazes entre os pequenos agricultores.

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