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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 23 (AE) - Quatro pesquisadores do Laboratório de Melhoramento Genético Animal da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desenvolveram uma tecnologia para a separação de espermatozóides bovinos que deverá ser usada em escala industrial por uma empresa norte- americana de inseminação artificial. A técnica, chamada de sexagem, consiste na eliminação dos espermatozóides que geram machos - ideal para a produção de leite.
O veterinário Marcos Fernando de Resende Matta, coordenador da pesquisa - iniciada em 1993 -, vai em janeiro para a cidade de Madison (EUA) a convite da empresa de biotecnologia na área de reprodução animal Pecplan ABS. Lá acompanhará a fase final de testes da pesquisa para o lançamento do sêmen sexado no mercado. "Isso deve ocorrer no prazo de um ano", informou. "A fertilização in vitro de 2.220 oócitos (células femininas) ocorreu perfeitamente em laboratório." A técnica já está patenteada - além da Uenf, é depositária a Fundação Banco do Brasil, que financiou a pesquisa.
O processo de separação dos espermatozóides é feito em etapas. Depois da identificação da proteína H-Y, do espermatozóide macho, são produzidos anticorpos monoclonais, que atuam especificamente contra essa proteína, para identificar os espermatozóides de cromossoma Y, relativo ao macho. Por meio da separação de células, são eliminados os Y e preservados os X, que geram fêmeas. Os anticorpos necessários para a sexagem são obtidos a partir da cultura de líquido ascítico em camundongos.
Vantagem - "A principal diferença dessa tecnologia para as outras que já existem é que ela funciona sem afetar a quantidade de sêmen, permitindo a mesma taxa de fertilização in vitro das amostras comuns", afirmou Matta. Para ele, a "grande vantagem" do trabalho é a "simplicidade".
O veterinário disse, porém, que ainda é necessário melhorar o resultado. "Precisamos aprimorar um pouco mais o controle de qualidade para chegar a 100% de bezerros fêmeas", disse. Segundo ele, essa taxa está em 90%. Outro desafio será a aplicação da técnica em escala industrial. O processo para comercialização é o seguinte: coleta do sêmen bovino, sexagem, inseminação artificial e congelamento. Segundo ele, a técnica é barata. "Acredito que não vá aumentar o custo, mas não sei qual será o preço de mercado."
Matta disse ainda que pretende inverter o processo e adaptar a tecnologia para a obtenção exclusiva de machos. O objetivo é atender à demanda de pecuaristas de corte. Para isso, será necessário identificar a proteína específica do espermatozóide relativo à fêmea (X). "Já temos indícios da existência dessa proteína", disse.
Sobre a aplicação da técnica em outros animais, ele disse que vai depender da viabilidade econômica da atividade. No caso do ser humano foi enfático: "Possível é, mas não entro nessa questão, não tenho interesse, sou veterinário."


