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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 23 (AE) - O consumo de drogas, lícitas ou ilícitas está aumentando no meio universitário do Estado do Rio, especialmente entre as mulheres.A conclusão é de pesquisa feita pelo professor titular de Psicologia da Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dalcy ¶ngelo Fontanive, em quatro instituições. Foram ouvidas 2.631 pessoas (88 docentes) e 29,34% delas se declararam consumidoras habituais e dependentes de alguma droga. Os consumidores eventuais ou os que nunca consomem são 71,66%.
As 16 universidades Estado do Rio têm 30 mil estudantes e professores e por isso Fontanive considera sua amostragem superior ao índice de 5% habitual neste tipo de pesquisa. "Fui a quatro instituições de ensino, que representam 25%, e ouvi 8 77% dos universitários fluminenses", disse o professor. Ele fez o trabalho em duas etapas. Em 1996, restringiu-se à UFF e, de julho de 1998 a julho deste ano, ampliou a pesquisa para mais três instituições da capital e interior. "O resultado foi o mesmo nas duas pesquisas, o que comprova sua eficácia", diz.
As universidades pesquisadas não autorizaram a divulgação de seus nomes nem dados específicos. Fontanive apurou que as drogas com maior número de dependentes são o tabaco (9 88%) e os psicotrópicos (9,16%), ambas permitidas por lei. A cocaína (0,91%) e a heroína (0,15% ou três pessoas), que são proibidas, não têm grande número de dependentes, mas a maconha (também ilícita) tem mais consumidores (5,59%) do que o álcool, permitido por lei, com 3,65% de dependentes.
O professor disse que essa relação entre o álcool e a maconha foi uma surpresa. Ele deixou o crack de fora por ser uma droga mais consumida pela população de ru do que por estudantes. É na adolescência e por curiosidade que 55% dos dependentes de tabaco, álcool, maconha, cocaína ou heroína começaram a consumir estas drogas, mas o que mais surpreendeu o professor é o grande número de pessoas que consomem drogas ilícitas dentro da universidade. Entre os consumidores de maconha, 58,50% fumam dentro da escola, enquanto o índice de consumidores de cocaína dentro da universidade chega a 54,17%. "Esse dado é importante porque indica que as instituições de ensino superior devem encontrar alguma forma de reprimir o uso de drogas em suas instalações", adverte Fontanive.
Mulheres- O alto consumo de tabaco, álcool e maconha entre as mulheres, ligeiramente superior ao dos homem, também surpreendeu. Ele considera essa proporção resultado da liberação feminina que teve início nos anos 70. "Até então a mulher não podia fumar em público porque era deselegante e não ficava bem, mas hoje isso é permitido", diz.
"Já o consumo de álcool entre as mulheres tem um aspecto interessante porque é permitido à mulher beber tanto quanto um homem, mas ela tem sempre que parecer sóbria." O número de mulheres que consomem cocaína é idêntico ao de homens, mas nenhuma mulher declarou ser dependente de heroíma, enquanto 3 homens assumiram a dependência
Quando a droga é psicotrópico, a divisão entre os sexos muda de acordo com sua característica. No total, os homens consomem mais do que as mulheres, mas elas usam mais tranquilizantes e antidepressivos do que os homens. "A causa da diferença é a dupla jornada de trabalho", explica o professor. "A sociedade exige da mulher êxito profissional e na condução da família".
Os resultados da pesquisa foram encaminhados ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que a financiaram. Mas o professor Fontanive quer ampliar o debate dentro e fora do meio. Amanhã (24) ele coordena uma mesa-redonda na Cooperativa de Psicólogos (Codepsi), da qual participam o psicanalista Joel Birman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e de sociólogos e assistentes sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). FIM


