Brasília, 23 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, confirmou hoje que até o final deste mês deverá anunciar o aumento nos preços dos pedágios das rodovias federais cedidas para exploração da iniciativa privada. As novas tarifas passarão a valer a partir do início de dezembro e deverão ficar cerca de 10% mais caras, de acordo com a variação dos índices de inflação dos últimos meses. Os reajustes estão suspensos desde julho, em decorrência da greve dos caminhoneiros.
Apenas a rodovia Osório-Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, deverá ter um aumento maior, de cerca de 20%, em razão de obras que estão em andamento e que já estavam previstas no contrato de concessão.
As rodovias federais privatizadas são a Via Dutra (administrada pela NovaDutra) cuja revisão estava marcada para julho, a Ponte Rio-Niterói (da Ponte S/A) que deveria ter aumento em agosto, junto com a Rio de Janeiro- Juiz de Fora (explorada pela Concer) .Em setembro seria a vez da Rio de Janeiro-Além Paraíba (sob administração da CRT). O último reajuste, em outubro seria o da Osório- Porto Alegre (explorada pela Concepa).
No acordo feito com os caminhoneiros para o fim da greve de julho, o ministro aceitou revogar o reajuste de 8,15% nos pedágios da Via Dutra, que entraria em vigor no dia primeiro de agosto. Padilha não assinou a portaria, já pronta, que aumentaria em 7,14% o preço da tarifa cobrada na Ponte Rio-Niterói.
O Ministério dos Transportes não poderá mais negociar com as concessionárias a redução das tarifas em troca da diminuição dos serviços especiais, como guincho, socorro médico e mecânico e telefones. Uma pesquisa encomendada pelo Ministério constatou que a maioria dos usuários das rodovias federais privatizadas não abre mão de serviços como uma opção para reduzir os preços dos pedágios.
A pesquisa descobriu que apenas 4% dos motoristas não se incomodariam com o fim dos serviços médicos, 8% consideram dispensáveis os guinchos e 12% abrem mão do atendimento mecânico. Da mesma forma, 10% aceitariam dispensar o serviço de telefone na estrada.
Segundo o ministro, o congelamento das tarifas desde julho já pode ser considerado um ganho para os usuários, que ficaram mais tempo sem aumentos. Como a redução das tarifas de pedágio é uma das principais reivindicações dos caminhoneiros, Padilha admite que poderá ser encontrada uma solução exclusiva para a categoria. "Pode se dar um tratamento diferenciado para os caminhoneiros", afirmou. "Nosso interesse é não onerar a produção."

mockup