Washington, 23 (AE) - A disputa entre a empresa de aviação brasileira Embraer e sua concorrente canadense Bombardier, que já dura três anos, se intensificou hoje. O acordo assinado em Genebra (sede da OMC) reabre um processo encerrado em agosto passado, mas evitou medidas mais extremas. O Canadá e o Brasil estavam a ponto de pedir à organização permissão para suspender o comércio bilateral, por até sete anos. Ambas as partes acreditam que a sentença, ditada pela OMC no caso Embraer-Bombardier, não foi executada.
Hoje, o vice-presidente da Bombardier, Yvan Allaire, disse que o governo brasileiro deixou de cumprir as determinações da OMC em relação ao Proex (Programa de Financiamento às Exportações). Nos próximos dez dias, dois novos comitês de arbitragem serão constituídos. Um deles determinará se essa acusação é procedente, e o outro examinará as queixas brasileiras, de que o Canadá tampouco fez a sua parte.
Os comitês têm 60 dias para chegar a um veredicto. "Esperamos uma decisão para fevereiro", disse Allaire. Segundo ele, se os dois países não chegarem a um acordo nos próximos meses, o Canadá pedirá uma idenização equivalente a US$ 6,7 bilhões.
A cifra, segundo Allaire, corresponde ao seguinte cálculo: a Embraer já fechou contratos para exportar 335 aviões, com opção para vender outros 550. Todos seriam entregues a partir de 18 de novembro - data do início da aplicação da revisão do Proex.
"Sem o apoio do Proex, a Embraer teria negociado apenas metade dessas 885 aviões", disse Allaire. Para calcular o prejuízo da Bombardier, Allaire dividiu esse total por dois e multiplicou os 442 aviões (que a sua empresa poderia ter vendido
se não enfrentasse a concorrência da Embraer) por um preço médio de US$ 15 milhões.
Caso a OMC aceite esses cálculos, os US$ 6,7 bilhões não seriam pagos pelo Brasil à Bombardier. O Canadá obteria permissão para elevar tarifas de importação sobre produtos brasileiros, tornando assim praticamente inviáveis as exportações do País para o Canadá, por até sete anos. Mas o governo brasileiro poderia reagir da mesma forma, dificultando as compras de produtos canadenses.
Segundo Allaire, mesmo que uma medida dessas afete empresas menores que a Bombardier (considerada uma das maiores e mais poderosas do Canadá), o importante é marcar uma posição. Ele insistiu em dizer que o Brasil deveria ter eliminado o programa de equalização de taxas de juros do Proex e afirmou que as adaptações anunciadas contrariam a sentença da OMC.

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