PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 23 (AE) - O comércio com a Argentina está sendo submetido a novos contrangimentos. Além das pendências decorrentes da restrições às importações de produtos brasileiros
como calçados, artigos têxteis, frango e suínos, agora, os bens com valor unitário acima de US$ 100 mil já não contam com a garantia do Convênio de Crédito Recíproco (CCR).
As empresas envolvidas nas negociações de produtos de valor elevado estão obrigadas a buscar outras tipos de garantias
como carta de fiança bancária. O limite imposto ao CCR é uma nova forma de o governo argentino criar obstáculos ao livre comércio entre os dois países.
O CCR é um mecanismo multilateral de garantia de crédito que conta com a participação de todos os bancos centrais (BCs) dos países membros da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Está em vigência desde 1972, período em que os BCs dos países envolvidos garantiram o pagamento das operações comerciais.
O diretor da Silex e da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Roberto Gianetti da Fonseca, disse que o sistema permitiu o sucesso do comércio exterior até nos momentos mais difíceis da economia da América Latina. A liquidez foi mantida até nos momentos de quebra das economias de países, como o México e o Peru, disse Gianetti.
A barreira criada pelo BC argentino é indireta. Com a nova exigência, os importadores argentinos estão obrigados a depositar antecipadamente 100% do valor das compras provenientes de países do Mercosul. A exclusão dos países do Mercosul só vigorou até o 1º de novembro.
Fernando Passarelli, gerente-geral da Câmara de Importadores da Argentina, afirmou que 30% das operações de crédito serão atingidas, mas negou que a medida tenha origem comercial: "é financeira". Segundo ele, a Argentina não tem controle sobre as próprias entidades financeiras e, por isso, pede que os importadores garantam seus créditos em 100%. O sistema de crédito recíproco causou grande déficit ao BC argentino, disse Passarelli.
O diretor da Funcex reconhece a dificuldade de controle dos bancos argentinos pelo BC local, mas acredita que os problemas entre o Brasil e a Argentina são recorrentes. "Não deverão terminar em curto espaço de tempo." O ambiente no país vizinho é tenso e a competitividade, frágil. "A Argentina não tem condições de competir no mercado mundial e por isso deverá sempre buscar meios de proteger sua indústria.
Gianetti diz que os problemas com a economia argentina e demais países latino-americanos causaram perda de cerca de US$ 4 5 bilhões em receitas cambiais.


