São Paulo, 23 (AE) - A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) quer prorrogar, por três meses, o regime automotivo para o Mercosul, que vence em 31 de dezembro. A proposta deverá ser discutida amanhã, em Montevidéu, durante encontro de representantes dos governos dos países que compõem o bloco. Diante do impasse com a Argentina, as montadoras brasileiras temem iniciar o novo ano sem acordo. Com isso, a alíquota de importação de veículos na região, que hoje é zero, passaria a ser de 35%.
O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, disse hoje que a proposta foi enviada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias e ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Na reunião de amanhã, no Uruguai, o representante brasileiro deve ser o secretário de Política Industrial, Hélio Mattar.
Segundo o executivo, a prorrogação possibilitaria um prazo maior para que o novo regime seja discutido com o presidente eleito da Argentina, Fernando De la Rúa, que tomará posse no dia 10 de dezembro. Pinheiro Neto não soube precisar se uma eventual extensão de prazo é permitida pela Organização Mundial de Comércio (OMC). "Teremos de fazer uma consulta." O presidente da Anfavea explicou que, entre os pontos polêmicos em discussão com a vizinha Argentina está a balança comercial entre os dois países. Desde 1996, quando o regime para o Mercosul entrou em vigor, a balança brasileira acumula déficit de US$ 700 milhões. "Nós importamos mais do que exportamos para a Argentina", disse, ressaltando a necessidade de se discutir critérios de compensação, proposta esta que não tem respaldo entre os argentinos.
Também há impasses na discussão sobre a alíquota de importação de peças de fora do Mercosul e no índice de nacionalização de componentes para os veículos produzidos localmente. Na semana passada, os importadores de veículos também manifestaram-se contrários à decisão das montadoras dos dois países de estabelecer a alíquota de 35% para importações de países de fora do bloco. Eles querem que seja mantida a atual taxa, que é de 20% a 23%, sob a alegação de terem seus negócios inviabilizados.

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