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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 23 (AE) - A disputa pelo mercado de telefonia no Brasil promete esquentar nos próximos três anos. O presidente da Telefônica Celular, Félix Ivorra, prevê que até 2003 o número de aparelhos celulares vai superar a quantidade de linhas fixas no País. O cenário traçado pelo executivo tem respaldo até mesmo em empresas de telefonia fixa, como a Embratel. O diretor de Sistemas da operadora, Eduardo Levy, é enfático ao afirmar que o "boom" do mercado de celulares ultrapassou todas as previsões já feitas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
"Os celulares superaram a expectativa do mercado em todos os países que tinham carência de telefones fixos, como o Brasil", lembrou Levy, que participou de um seminário sobre o setor de telecomunicações. Os primeiros indícios desse movimento já podem ser observados no Rio de Janeiro. Em novembro, o número de celulares operando na região metropolitana somou 2,1 milhões, contra os 2 milhões de aparelhos fixos.
O presidente da ATL, Carlos Henrique Moreira, disse estar otimista com o desempenho do setor mesmo nesse período de desaceleração da economia. Segundo ele, os celulares serão a grande ferramenta de trabalho no futuro. "Quem tiver um poderá ser encontrado em qualquer lugar e com isso fechar negócios."
O cenário traçado pela Anatel é mais modesto. A estimativa é chegar a 2003 com 30 milhões de aparelhos celulares
enquanto as linhas fixas somariam 39 milhões. O presidente da Telemar, Manoel Horácio da Silva, considera difícil as operadoras de celular alcançarem essa meta. Ele argumentou que como hoje ainda existe carência de telefones fixos nos País, a população busca refúgio no mercado de celulares. Entretanto, com a melhora das operadoras fixas, esta demanda deve cair nos próximos anos.
Disputa - Os presidentes de telefônicas trocaram farpas durante o debate no seminário. O presidente da Tele Centro Sul, Henrique Neves, voltou a defender que as empresas de telefonia fixa possam entrar antes de 2002 no mercado de longa distância. Segundo ele, a presença da Sprint (recém-adquirida pela MCI World Com) na Intelig (espelho da Embratel) é um fato que contraria as leis brasileiras que incentivam a concorrência. A proposta foi criticada pelo diretor de Sistemas da Embratel, Eduardo Levy.
O executivo admite esta possibilidade, desde que outras regras sejam discutidas, entre elas a que não permite aos usuários de telefonia celular escolher a operadora pela qual farão seus interurbanos. O diretor ressaltou que existem outras companhias de telefonia com participação em mais de uma empresa e, com isso, têm interesses comuns. Ele citou como exemplo a Americel, operadora da Banda B em Brasília, que tem como controlador o Banco Opportunity, e a Tele Centro Sul, que também é controlada pela instituição financeira.


