Rio, 23 (AE) - A importação líquida de petróleo este ano deverá ficar em US$ 3,7 bilhões pelas projeções da Petrobras. A cifra é US$ 100 mil inferior à registrada no ano passado, apesar da alta de preço do petróleo no mercado internacional. Ontem, em mais um aumento, o barril chegou a quase US$ 26, o nível mais alto desde a Guerra do Golfo, há cerca de nove anos.
Para o ano que vem, expectativa é de que o País tenha despesa semelhante à deste ano, apesar de importar um volume um pouco menor. "O aumento do preço do petróleo é conjuntural e episódico e a tendência é de reversão do atual quadro", aposta o superintendente de Abastecimento e Refino da Petrobras, Rogério Manso.
A longo prazo, os analistas da Petrobras prevêem a fixação do preço do petróleo tipo Brent, que serve de referência para a commodity, entre US$ 15 e R$ 20. A queda, esperada já a partir do primeiro trimestre, associada ao aumento da produção, será responsável por um desempenho melhor em 2000, que deverá ter reflexo positivo na balança comercial brasileira. No ano passado, a importação bruta de petróleo e derivados foi de US$ 4 3 bilhões, enquanto as exportações (derivados) ficaram em US$ 500 mil.
Este ano o Brasil conseguiu elevar bastante as vendas para o exterior e deve chegar ao fim do ano com um total de US$ 900 mil em exportações, vendendo principalmente gasolina para os Estados Unidos e América Latina e óleo combustível para o mercado norte-americano.
A estimativa de elevação das vendas deve fazer com que o saldo líquido seja um pouco mais favorável este ano, apesar da previsão de importação bruta em torno de R$ 4,6 bilhões, feita a partir dos preços que vigoravam há duas semanas. "A elevação de preço no mercado mundial está sendo gerada por uma ansiedade que precede a entrada do inverno no Hemisfério Norte, quando o consumo aumenta, associada a outros eventos, como a suspensão das exportações pelo Iraque e a campanha da Opep", diz Manso. Ele acredita que o cenário traçado este ano, que começou com preços baixos e termina com uma grande alta será exatamente o oposto em 2000.
Na média, segundo ele, o preço do petróleo no ano que vem deve ficar um pouco mais alta que a deste ano, mas a necessidade de importação irá diminuir com o aumento da produção
especialmente com o início da produção comercial do campo gigante de Roncador, na Bacia de Campos.
A produção nacional, que terminou o ano de 98 com média diária um pouco abaixo de um milhão de barris, já está próxima de 1,2 milhão de barris e deve chegar a 1,5 milhão de barris no ano que vem. A previsão, feita pelo presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, de auto-suficiência em cinco anos, não significa que a empresa deixará de importar, mas também ganhará espaço na exportação de óleo bruto, feita pela última vez há três anos, numa venda isolada.
Os números utilizados no mercado financeiro são semelhantes aos estimados pela Petrobras, embora um pouco mais conservadores. A análise do Banco Bozano, Simonsen apresenta uma importação líquida este ano de US$ 3,9 bilhões e, no ano que vem
de US$ 4,1 bilhões. Segundo Rodrigo Marques, analista do banco especializado em petróleo, o preço médio do barril do tipo Brent
que este ano já é de US$ 17,5, chegará a R$ 20,8 no ano 2000, mesmo com expectativa de queda. "O ano vai começar com pico de preço", justifica.

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