Buenos Aires, 22 (AE) - Dar tranquilidade aos mercados: essa é a intenção do presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, ao designar economistas de primeira linha para ocupar quatro de dez ministérios.
Desta forma, o presidente eleito pretende indicar que a estabilidade econômica e a disciplina fiscal serão a prioridade de seu governo. Nunca antes na História do país houve uma presença tão ostensiva de economistas em um gabinete. O anúncio dos nomes dos ministros poderá ser feito formalmente nesta terça-feira, faltando menos de 20 dias para tomar posse.
Os economistas não estarão necessariamente em sua costumeira área de ação: somente José Luis Machinea, ex-presidente do Banco Central no período que antecedeu a hiperinflação do governo do presidente Raúl Alfonsín, o fará, ocupando o Ministério da Economia.
O economista Adalberto Rodríguez Giavarini, estará fora de sua tradicional área: será o ministro das Relações Exteriores. Giavarini foi o responsável pelo fim do déficit da cidade de Buenos Aires. A chancelaria argentina sob direção do presidente De la Rúa terá uma inegável característica: ser a arma de conquista de mercados externos.
Por esse motivo, o vice-chanceler também será um economista: Horacio Chighizolla.
Juan Llach, que foi vice-ministro da Economia do ex-ministro Domingo Cavallo, foi indicado para ocupar o ministério da Educação. Polêmica, sua designação causou irritação nos setores da esquerda da coalizão Aliança UCR-Frepaso, que esperavam alguém mais aberto a um aumento salarial para os professores públicos e não esperavam o que consideram um "tecnocrata". Llach já avisou que considera que é possível reduzir os gastos da educação em US$ 1,2 bilhão.
O economista Ricardo López Murphy está sendo indicado como um inusitado futuro ministro da Defesa, setor que já passou por drásticos cortes orçamentários. No entanto, López Murphy poderia ocupar a pasta da Infra-estrutura.
A designação de um gabinete onde pouco menos da metade dos integrantes são economistas, se deve às mudanças na direção do FMI: com Michael Camdessus no seu comando, o Fundo era complacente com a Argentina. De la Rúa sabe que não terá mais essa sorte, agravado pelo alto endividamento que o país terá que arcar nos próximos meses.
Analistas consideram que os economistas espalhados em ministérios críticos permitirão a Machinea uma maior possibilidade de manobrar em um gabinete que sofrerá reduções orçamentárias. Estes economistas aceitariam mais placidamente o ajuste que prepara Machiena, considerado o maior dos últimos anos.

mockup