Moscou, 22 (AE-AP) - O alto comando militar russo anunciou hoje (22) que espera cercar completamente a capital da república separatista da Chechênia, Grozny, até meados de dezembro e depois tomar a cidade sem luta.
O chefe do Estado-Maior, Anatoli Kvashin, exortou hoje a população local a expulsar os rebeldes e ameaçou, de maneira indireta, desencadear uma campanha de bombardeios ainda mais intensa do que a atual, caso eles continuem entrincheirados em Grozny.
Kvashin disse que pretende adotar a mesma estratégia bem-sucedida na captura das cidades de Gudermes, a segunda maior do território, em Achkhoi-Martan, e em aldeias menores: negociar com os líderes mais velhos para que persuadam os grupos rebeldes a abandonar a área, abrindo caminho à entrada das forças federais. Estão sob controle federal as saídas da capital para o norte, oeste e parte do leste do território.
Segundo agências russas, os comandantes russos têm ameaçado bombardear duramente as cidades e aldeias caso os guerrilheiros integristas islâmicos não deixem a área. "O próprio povo vai resolver as coisas com os bandidos, dentro da cidade (Grzony) e nós iremos ajudá-lo", disse Kvashin à emissora de televisão russa NTV.
Cerca de metade do território checheno, incluindo mais de 60 localidades, está sob controle de Moscou, de acordo com o Ministério do Interior. Mais de 220 mil chechenos deixaram a república por causa dos bombardeios - a grande maioria refugiou-se na vizinha república russa da Ingushétia e está abrigada em acampamentos rpecários.
As tropas russas planejam conquistar esta semana o município de Urus-Martan, a 24 quilômetros de Grozny, um forte reduto da guerrilha. Altos oficiais russos têm dito que em Urus-Martan provavelmente vão enfrentar a mais dura resistência dos rebeldes e tropas do governo checheno desde que as forças federais entraram no território checheno, no início de outubro. Eles calculam haver cerca de 3 mil homens entrincheirados na cidade e, segundo a agência russa Interfax, armando barricadas e armadilhas para encurralar as tropas russa e proteger-se dos bombardeios aéreos e ataques de artilharia. Outros 5 mil homens estão preparando a defesa de Grozny, sob o comando pessoal do presidente checheno, Aslan Maskhadov, segundo a Interfax.
Em Moscou, o primeiro-ministro russo descartou a possibilidade de o governo iniciar negociações com líderes chechenos e voltou a dizer que o país está disposto a ir até o fim na "luta contra os terroristas" - como o Kremlin denomina a campanha militar na Chechênia -, apesar da pressão internacional para uma solução política na região. "Não haverá pausas. Continuaremos a seguir o mesmo caminho", frisou Putin, que não reconhece mais Maskhadov como presidente checheno e diz não haver na república interlocutores válidos.
O governo russo não cumpriu ainda o compromisso acertado na cúpula européia em Istambul, na semana passda, de permitir a entrada na Chechênia de uma missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que irá buscar subsídios para a busca de um diálogo entre as partes em conflito.
A incursão no território checheno foi iniciada depois que rebeldes islâmicos tomaram várias aldeias da república russa do Daguestão, de onde foram expulsos em agosto e setembro pelas forças federais. Nesses mesmos meses, uma onda de atentados atribuídos por Moscou aos guerrilheiros, matou cerca de 300 pessoas em prédios de apartamentos na Rússia e causou pânico entre a população.
Por essa razão, a até agora bem-sucedida ação militar na Chechênia conta com elevado apoio entre os russos e aumentou a popularidade de Putin, que hoje aparece como líder nas pesquisas para a presidência, a ser disputada em junho de 2000.
O governo do Casaquistão informou hoje ter detido 22 russos - a maioria cidadãos casaques - que planejavam desencadear um levante para criar uma república para a minoria russa, que constitui cerca de 30% da população do Casaquistão.

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