Nazaré, 22 (AE-AP) - As portas de todas as igrejas da Terra Santa foram fechadas hoje (22), marcando o clímax de uma disputa que envenenou as relações entre cristãos e muçulmanos, com Israel cuidadosamente na posição de mediador.
Ao fechar as portas das igrejas por dois dias nas vésperas do novo milênio, os cristãos esperam chamar a atenção mundial para o que eles afirmam ser uma crescente afronta a seus santuários.
"Nós fechamos as igrejas para que o mundo possa ouvir", disse o patriarca latino da Terra Santa, Michael Sabbah. "E o mundo ouviu".
Segundo especialistas em religião, o protesto talvez possa prejudicar a intenção israelense de mostrar ao mundo na virada do milênio que cristãos, muçulmanos e judeus vivem em harmonia na região.
Hojem um grupo de peregrinos da Índia foram barrados de entrar na Basílica da Anunciação, em Nazaré, cidade onde Jesus passou sua infância e foco da disputa. "Viemos de muito longe para ver a igreja. Isso não está certo", disse John Arinbur, que fazia parte do grupo.
O conflito em Nazaré começou há dois anos com a disputa de um terreno de dois hectares em frente à basílica. Os cristãos querem construir uma praça para os "visitantes do milênio" no local e os muçulmanos, uma mesquita.
Israel, no papel de mediador, decidiu dividir o terreno e construir ali uma mesquita em um terço do espaço e uma praça no restante.
Hoje, muçulmanos oraram em seu pedaço do terreno. Depois da oração, máquinas niveladoras abriram caminho para a construção da praça.
O líder do movimento islâmico em Nazaré, Salman Abu Ahmed, afirmou ter ficado surpreso com a oposição à construção da mesquita e que deseja viver em paz com seus vizinhos cristãos, que constituem 30% dos 60 mil habitantes de Nazaré.





