Buenos Aires, 22 (AE-ANSA) - O governo argentino justificou hoje (22) sua decisão de indenizar a viúva do ex-presidente boliviano Juan José Torres, assassinado em Buenos Aires em plena ditadura militar, em 1976.
Pela primeira vez será indenizada a família de uma vítima do Plano Condor, a coordenação da repressão ilegal promovida pelas ditaduras que assolaram o Cone Sul nos anos 70 e parte dos 80.
Juan José Torres, um nacionalista de esquerda, foi morto por grupos paramilitares argentinos. O crime "se encaixa na metodologia do Plano Condor, afirmou hoje a subsecretária de Direitos Humanos do governo argentino, Inés Péres Suárez, ao explicar a razão da indenização.
Emma Obleas, a viúva de Torres, receberá US$ 224 mil com base na lei argentina 24.411, que beneficia herdeiros das vítimas da repressão ilegal.
Pérez Suárez admitiu que existe "uma longa lista" de casos similares, entre eles o do general chileno Carlos Pratts, assassinado junto com sua esposa em Buenos Aires em 1974, cujos pedidos de indenização deverá ser respondido pelo próximo presidente argentino, Fernando de la Rúa.
O general Torres foi sequestrado por um grupo paramilitar no bairro Norte, de Buenos Aires, e seu corpo, com três tiros, foi encontrado em um descampado em San Andrés de Giles, cerca de 100 km a oeste da capital, em junho de 1976.

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