PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 22 (AE) - O homem de cerca de 22 anos, identificado apenas como "Daniel", que ficou por mais de duas horas e meia no topo do mastro 105 metros da bandeira nacional, na Praça dos Três Poderes, gritando frases conra o governo e o presidente Fernando Henrique Cardoso foi convencido pelos bombeiros a descer.
Do alto da torre, ele gritou várias vezes que o presidente "se vendeu" ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ameaçava jogar-se. Cinco militares do Corpo de Bombeiros, entre eles dois tenentes, também subiram ao mastro e se instalaram em pontos diferentes, de onde conversaram com Daniel.
Enquanto gritava ele batia com um objeto na estrutura de metal do mastro da bandeira. Fez referências também a própria família: afirmou ser pai de dois filhos, "casado com Magda". "Ela não me merece, minha família não me mererece", gritava, erguendo os braços em gestos aparentemente desesperados.
Daniel jogou do alto da torre várias garrafas contra os bombeiros que estavam instalados na estrutura. Uma das garrafas cortou a mão de um dos bombeiros. Segundo o capitão Claudivan, do Corpo de Bombeiros, Daniel escalara a base do mastro por um cabo de aço fixado à estrutura, utilizando depois os degraus da estrutura para chegar ao topo, pouco antes das 20 horas.
Para descer, ele impôs aos bombeiros uma condição: ser autorizado a conversar com a imprensa. Mas, uma vez no chão, ele desistiu da entrevista afirmando que não queria "matar a família de vergonha".
Os bombeiros o levaram ao Hospital de Base, onde foi submetido a exames de sanidade mental. O capitão-bombeiro Claudivan informou que seria depois lavrado contra Daniel um flagrante de atentado à ordem pública.


