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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 22 (AE) - O ex-prefeito Paulo Maluf, presidente nacional do PPB, teve sangue retirado para o exame de DNA que provará se ele é ou não pai biológico da filha de Silvana Rocha de Oliveira Perestrelo, filha de um ex-cabo eleitoral malufista. Maluf transformou a coleta de sangue num ato político para tentar apresentar-se como vítima de uma articulação. Os principais alvos foram o PT e o governador Mário Covas (PSDB), a quem ele acusou de ser o responsável pela chegada do "crime organizado" a São Paulo.
O ex-prefeito compareceu ao gabinete do juiz da 2.ª Vara da Família do Fórum da Penha, Sérgio Luis Desenzi. Ao sair, afirmou que os "pais da criança são os tucanos e petistas que passaram de maneira criminosa a calúnia para os jornais".
Internet - Em março, Maluf foi acusado de ser o pai da filha caçula de Silvana, P.S.R.O., de 8 anos. A denúncia já havia sido veiculada pela Internet no ano passado, durante a campanha para o governo do Estado. De acordo com Maluf, quem se aproveitou da "calúnia" no segundo turno da eleição foi "Mário Covas".
O ex-prefeito também fez críticas à administração do tucano. "O crime organizado está em São Paulo porque nos últimos cinco anos não houve nenhuma política de segurança pública", afirmou. Depois de ter negado várias vezes a paternidade da criança, Maluf pediu na Justiça a realização do exame. Ele chegou ao fórum às 13h15, acompanhado do ex-secretário do Governo Municipal Edevaldo Alves da Silva e do patologista e especialista em testes de DNA Ayush Morad Amar - que fundou o Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) e hoje trabalha nos Estados Unidos. Amar foi contratado para acompanhar o teste como observador.
Silvana, acompanhada pelo advogado Gérson Bellani e da filha menor, chegou cerca de dez minutos após Maluf. Mãe e filha estavam com a cabeça coberta por um lençol e não deram entrevistas. Bellani disse, apenas, que não podia comentar nada porque o processo está sob sigilo de Justiça.
Maluf disse que pediu o teste para apurar a verdade, cumprimentou as pessoas que estavam no fórum e os policiais militares que reforçaram a segurança. Estava acompanhado de uma equipe de TV. A expectativa é de que o resultado seja entregue em 8 ou 11 dias, mas o prazo pode ser reduzido para 5 dias se a Justiça pedir urgência. O exame será feito pelo laboratório Genomic.
Máfia dos fiscais - A denúncia de paternidade surgiu, de forma oficial, durante a investigação da máfia dos fiscais. O pai de Silvana, Silvio Rocha de Oliveira, contratado pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam), falou do caso quando era interrogado por vereadores sobre sua atuação na Administração Regional da Penha. A regional era controlada pelo ex-vereador Vicente Viscome, que teve o mandato cassado.


