Brasília, 22 (AE) - Embora defenda a bandeira do Movimento dos Sem-Terra (MST), o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno, faz um alerta: "O movimento precisa ter cuidado para não se isolar e deve fazer uma reflexão." De acordo com o deputado, "toda a vez que a bandeira da reforma agrária ficou isolada veio a truculência como reação", disse ele.
O PT, salientou Genoíno, não fez avaliações dos últimos atos, como a quebra de pedágios ou a ocupação da estrada na frente da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). "São legítimas as reivindicações do MST e eles devem fazer protestos; mas queremos uma solução negociada", defendeu, no entanto.
Para o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, "a opinião pública está cansada do extremismo do MST". Segundo ele, um exemplo do distanciamento foi a posição adotada pela Igreja. "A CNBB, que tem uma defesa histórica dos oprimidos e enfática defesa dos movimentos sociais, já se manifestou contra a prática de violência, como quebra de pedágios", disse o ministro.
A pressão do Movimento dos Sem-Terra (MST) sobre o governo vai aumentar, avisa um de seus coordenadores nacionais, Gilberto Portes. Segundo ele, essa é alternativa para o movimento diante da lentidão na execução da reforma agrária. "Este ano, só foram liberados 36% do orçamento previsto", disse. O governo reage, dizendo que os atos de violência promovidos por militantes vão isolar o movimento e reduzir o apoio da opinião pública.
Gilberto Portes negou o isolamento, e disse que a quebra de pedágio não foi uma orientação do comando nacional do MST. "A orientação era a de que todos fizessem atos simbólicos no pedágio como forma de denunciar a privatização durante o Dia Nacional de Protesto", explicou Portes. No caso da fazenda, segundo ele, também não foi planejado o saque ao caminhão. "Mas naquele momento, apareceu o caminhão e eles decidiram fazer o ato simbólico", afirmou.
"Os atos de pressão social são a única forma, já que o governo não dialoga, como diz que faz", afirmou Portes. "Não temos medo de perder o apoio da opinião pública porque a sociedade está vendo a crise, sabe que todos estão sofrendo", disse ele. "Violência é deixar brasileiros morrendo em baixo de lonas, sem ter o que comer.

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