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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 22 (AE) - Após dois meses de investigação, a Polícia Civil paulista localizou o autor do site nazista Judeus no Brasil. R.L., de 16 anos. É um rapaz de classe média e mora em Belo Horizonte. O inquérito policial será enviado esta semana ao juiz corregedor de São Paulo, Maurício Lemos Porto, e encaminhado ao Juizado de Infância e Juventude de Minas Gerais.
A página, mantida no provedor Geocities, atribuía à atuação dos judeus os problemas socioeconômicos do País. O autor pedia a colaboração dos "nacionalistas" para que enviassem para um e-mail o nome e o endereço dos "judeus inimigos do Brasil".
"O que mais nos surpreendeu foi a quantidade de colaborações que o site recebeu", diz o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, do setor de crimes pela Internet da Polícia Civil paulista, que coordenou as investigações.
Depois que o site foi retirado do ar pela Geocities, passou a ser distribuído por e-mail para centenas de pessoas. "Pensávamos que a página era feita por uma organização", diz o delegado. "Ficamos surpresos quando descobrimos que era mantida por um garoto."
Para o delegado, R. disse que pensou em fazer o site para "vingar-se" de dois jornalistas mineiros, de quem discordava. "Ele nos disse que o site foi crescendo à medida que as colaborações (nome, endereço e atividade) foram sendo enviadas"
diz o delegado.
Procurado pela reportagem, R. disse ter sido "instruído" a não falar nada. Revelou apenas que estava "coletando informações sobre o Mauro" e sua mãe, a professora Bernadete Passara Lemos Bráulio, ainda não sabe que ele está sendo investigado.
"Esperamos que a Justiça mineira determine que esse menino faça algum trabalho voluntário para a comunidade judaica mineira", diz o delegado. Esse tipo de tarefa é o que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) chama de "medida socioeducativa", aplicada para adolescentes infratores. Lima e Silva explica que a legislação brasileira não é clara na configuração dos crimes de discriminação e racismo. Por isso, torna-se complicado provar que alguém está praticando esse tipo de crime.
Para encontrar R., a polícia contou com a colaboração dos provedores americanos, que concordaram em quebrar o sigilo das operações virtuais de Fulano da Silva, apelido de R. na rede, para que sua identidade fosse descoberta.


