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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 22 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) decidiu adiar as vistorias nas propriedades rurais no Rio Grande do Sul, que seriam iniciadas amanhã (23). A informação é de Roberto Zago, presidente do Sindicato Rural de Bagé. Segundo ele, o Incra informou que as vistorias nas propriedades foram suspensas até que sejam divulgados novos índices de lotação pecuária, o que deve ocorrer ainda esta semana. Os índices são utilizados para classificar as propriedades como produtivas ou improdutivas , isto é passíveis de desapropriação para reforma agrária.
Zago considerou "sensata" a decisão do Incra e disse que ela reflete a medida tomada pelo Sindicato Rural de Bagé na sexta-feira, quando a entidade deu entrada, na Vara de Justiça Federal do Município, com uma ação contra as vistorias de propriedades rurais na região.
Os produtores não aceitam o índice de produtividade utilizado atualmente pelo Incra (0,8 unidade animal por hectare)
que é elaborado pela Unicamp e baseado em dados do IBGE. Eles defendem o uso de um índice de pesquisa elaborado pela Embrapa a partir de estudos técnicos na região, que é de 0,46 unidade animal por hectare.
Vistoria zero - Cerca de 600 produtores rurais de 44 municípios gaúchos se reuniram hoje (22) no Sindicato Rural de Bagé para discutir estratégias contra as vistorias do Incra. De acordo com o presidente do sindicato, Roberto Zago, se o Incra mantiver o índice de produtividade em 0,8 unidade animal por hectare, os produtores deverão adotar a chamada "vistoria zero", estratégia já utilizada no ano passado, e que consiste em impedir a entrada de técnicos do Instituto nas propriedades.
Apesar da decisão de hoje do Incra de adiar as vistorias até que sejam divulgados novos índices, Zago diz que os produtores estão céticos em relação a mudanças nos índices de produtividade. "Essa pendência tem cerca de dois anos e o Incra não quer adotar índices técnicos, porque senão toda propriedade seria considerada produtiva e não poderia ser desapropriada", disse, referindo-se ao índice de 0,46 unidade animal por hectare.


