São Paulo, 22 (AE) - Uma brincadeira de criança custou a vida de Pablo Eduardo Resude, de 9 anos. Às 18h30 de ontem (21) ele e o amigo Danilo, de 10, jogavam pedrinhas num alvo imaginário. Danilo acabou acertando o portão de aço lateral da casa do investigador da Polícia Civil Antônio Marcelo Jordão Pacheco, que disparou tiros de pistola 380 pela vidraça dos fundos. Um deles atingiu Pablo na cabeça. O menino morreu duas horas depois de chegar ao hospital. Danilo não foi ferido.
Pablo estava na rua havia menos de dois minutos. Morador de uma casa de fundos do número 16 da Rua Macedônia, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, ele estava quieto na sala até sua mãe, a empregada doméstica Luz Divina Moreira Ressude, resolver acompanhar até o portão da vila uma irmã da vizinha manicure, mãe de Danilo. As três mulheres ficaram conversando e os garotos começaram a brincar. "Quando vi, meu filho já estava no chão, encolhidinho", contou Luz Divina, de 27 anos.
O pai de Pablo, o motorista Sílvio Ari Ressude, de 42 anos, estava em um bar da mesma rua assistindo o jogo do São Paulo. Quando soube que o menino havia sido atingido correu, desesperado, mas ele já tinha sido removido pelos vizinhos para o Hospital de Vila Penteado. O casal, que optou por ter apenas uma criança para poder oferecer um padrão de vida melhor a ela, não quer mais ter filhos. "Queremos é justiça; não é porque ele é um investigador que vai ficar impune", disse Ressude, no velório do garoto.
Enquanto o investigador prestava depoimento no 45.º DP, logo depois do crime, muitos vizinhos revoltados invadiram sua casa, atearam fogo nos móveis e quebraram vidraças. Para não ser linchado por quase 300 pessoas, Pacheco, que mora no local há 4 meses com a mulher e o filho recém-nascido e tinha fama de calado, nem voltou ao local. Hoje pela manhã seus pertences foram retirados por um carro da polícia.
Sindicância - No 45.º Distrito Policial o investigador não foi indiciado. Segundo o delegado titular Julio Kawabi, isso ocorreu porque Pacheco não ofereceu resistência e apresentou-se espontaneamente. Ele alegou ter dado apenas um tiro em direção ao chão de seu quintal, que teria resvalado para a lateral do portão de aço e atingido o menino. Justificou sua atitude lembrando que por duas vezes sua casa foi arrombada. Em agosto, um desconhecido teria entrado e roubado uma de suas armas.
O caso será apurado pela Corregedoria da Polícia Civil, que abriu sindicância e deverá indiciá-lo por homicídio culposo. Se condenado, o policial - que tem cinco anos de carreira e já trabalhou em várias delegacias e no Departamento de Entorpecentes - pegará até 20 anos de prisão. Por enquanto, Pacheco está solto e poderá continuar trabalhando no 34.º DP. " A Justiça é assim mesmo; não vai acontecer nada", disse o motoboy Anderson Nascimento, que socorreu o menino.
Hoje Pacheco não apareceu no trabalho. Seus colegas de distrito disseram estar espantados com o fato. Um investigador que não quis se identificar garantiu que Pacheco é ponderado, calmo e nunca havia atirado em ninguém.

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