São Paulo, 22 (AE) - O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marco Vinício Petrelluzzi, decidiu substituir o diretor da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e nomear para o cargo o delegado Antônio Mestre Junior, que chefiará a equipe policial da força-tarefa que vai investigar a corrupção no Detran. Mestre Junior, que chefiava a Delegacia Seccional de Itaquera, na zona leste de São Paulo, tem carta branca do secretário para montar sua equipe.
Ele, que assumirá o novo cargo amanhã, substituirá o delegado Walter Fernandez, que será deslocado para outra função no Detran, a chefia da Divisão de Crimes de Trânsito. A corregedoria do órgão havia sido citada em depoimento de suspeitos de envolvimento no esquema de desbloqueio irregular de multas no órgão. "Não se trata de uma saída do senhor Fernandes
nada contra ele, mas, nesse momento, é melhor alguém de fora, sem histórico de ligação com o Detran para demonstrar isenção", afirmou Petrelluzzi, que anunciou hoje a decisão.
Além da Corregedoria do Detran, também deverão participar da força-tarefa a Corregedoria da Polícia Civil, a Secretaria Estadual da Fazenda, interessada no recolhimento das taxas, do dinheiro das multas e do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) que deixaram de ser recolhidos no licenciamento de veículos por conta da ação do esquema de corrupção. "Também poderemos ter a participação de órgão da Prefeitura e da Receita Federal", afirmou o delegado.
A escolha de Mestre Junior foi feita em uma reunião da qual participaram o secretário, o delegado-geral Marco Antônio Desgualdo, e do diretor do Detran, Francisco Leigo. Mestre Junior ficará subordinado a este último. "Ainda é prematuro para termos uma idéia da gravidade ou não da situação", afirmou o secretário. Petrelluzzi descartou, por enquanto, a necessidade de novas mexidas nos cargos administrativos do Detran. Na semana passada, ele admitiu a possibilidade de desvincular o departamento da Polícia Civil.
Hoje o chefe dos policiais na força-tarefa reuniu-se com os promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) para decidir os rumos da investigação. "Não gostaria de ser visto como o salvador da pátria ou o paladino da justiça", afirmou Mestre Junior. O delegado afirmou que ainda não definiu quem fará parte de sua equipe. "Vou à corregedoria conhecer as pessoas que lá trabalham e avaliar com quais delas poderei trabalhar, depois, vou decidir quem convidarei para trabalhar comigo e comunicarei minhas necessidades ao diretor do órgão." Mestre Junior trabalhou na Divisão de Homicídios e durante o governo Fleury, foi afastado de suas funções por fazer oposição ao então delegado-geral álvaro Luz Franco Pinto. Membro da Associação dos Delegados pela Democracia, passou quatro anos no ostracismo dentro da polícia, ocupando cargos menores. No primeiro mandado de Covas, ocupou a mesma delegacia seccional de onde está saindo agora. Lá, presidiu o inquérito sobre as mortes dos três sem-teto baleados pelos policiais militares que foram cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse de prédios da CDHU na fazenda da Juta, zona leste de São Paulo. Indiciou dois policiais sob a acusação de serem os autores de duas das mortes. É homem de confiança do atual delegado-geral e do secretário.
"Vou agir com energia, equilíbrio e equidade", afirmou o delegado. Ele afirmou que vai tomar conhecimento amanhã das sindicâncias existentes na corregedoria. "Quero tomar conhecimento do acervo existente na corregedoria." Ele disse que os nomes dos envolvidos na apuração serão divulgados de acordo com a conveniência da apuração policial. Para ele, sua nomeação "demonstra de forma inequívoca a isenção da apuração". Segundo ele, os delegados da Corregedoria da Polícia Civil deverão cuidar das investigações cada vez que o nome de um policial civil aparecer como suspeito de participar do esquema.





