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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Liane Gomide, especial para a AE 
Campos, RJ, 22 (AE) - A rebelião dos 240 presos da 134ª Delegacia Policial, em Campos, norte fluminense, terminou ontem, por volta das 19 horas, com um ferido. O movimento começou ontem (21) à tarde, quando um carcereiro foi tomado como refém. O preso Paulo Sérgio Tavares, líder da rebelião e condenado a 38 anos de prisão por ter assassinado a mulher, a filha e a sogra, foi ferido por outro preso, Ayrton de Souza, o Pitão. A briga dos dois líderes, a fome e o cansaço forçaram o fim do motim.
Tavares foi levado para o Hospital Ferreira Machado, no centro de Campos. O carcereiro Mario Vitor Braga, de 49 anos, que ficou cerca de 30 horas como refém, foi libertado pelos presos. Durante todo o dia hoje os rebelados ameaçaram explodir dois tanques de combustíveis, com quatro mil litros de álcool e dois mil litros de gasolina destinados ao abastecimento dos carros policiais. Eles exigiam dois carros Monza quatro portas, armas e garantia de que um grupo de oito deles pudesse fugir, levando o carcereiro como refém.
O governador Anthony Garotinho disse, de manhã, que não iria negociar com os presos e determinou o corte do abastecimento de água e de energia elétrica da delegacia. Durante a rebelião, os presos tinham uma pistola e dois revólveres. Eles faziam revezamento, armados com coquetéis molotov, ao lado de tanques de combustíveis. Cerca de 300 policiais de Campos e das cidades vizinhas de Macaé e Itaperuna cercaram e isolaram a delegacia, enquanto atiradores de elite se posicionaram em pontos estratégicos.
A tentativa frustrada de fuga começou na tarde de ontem, quando os presos dominaram Braga e tomaram a carceragem e o pátio externo da delegacia. Tavares e Pitão eram os negociadores do grupo, antes de se desentenderem. Tavares manteve uma arma apontada para a cabeça do carcereiro enquanto Pitão - de 24 anos e condenado por seis homicídios e um sequestro- fazia as reivindicações à polícia.


