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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Lúcia Oliveira, especial para a AE 
Recife, 22 (AE) - Cerca de 1.645 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Pernambuco ocuparam 21 propriedade entre sábado e a tarde de hoje. Até ontem (20) eram 15 as áreas invadidas. De acordo com o coordenador do MSP-PE, Jaime Amorim, as ocupações deverão continuar nos próximos dias.
As áreas ocupadas somam 30.850 hectares. Uma das fazendas é da Igreja católica e está arrendada à Usina São José, em Igarassu. Até hoje nenhum incidente havia sido registrado. Em Igarassu, as famílias de sem-terra passaram a noite cercadas por seguranças da usina e denunciaram ameaças.
Segundo Jaime Amorim, a jornada de ocupação iniciada no fim de semana é estratégica. "Concentramos as ocupações num mesmo período para evitar a repressão dos grupos paramilitares contratados pelos donos de terra e para pressionar o Governo para que sejam feitas vistorias". Distribuídas em áreas do Agreste, Sertão e Zona da Mata do Estado, os acampamentos são formados por trabalhadores que, segundo Amorim, já chegam sem alimento ou qualquer suporte para enfrentar a dureza das barracas e dependem das campanhas de arrecadação de suprimentos nas comunidades vizinhas.
O MST-PE reclama do corte de R$ 580 milhões em recursos para assentamentos e acusa o Incra de não ter cumprido o compromisso de vistoriar 50 novas áreas este ano, por falta de recursos, cortados pelo Ministério da Fazenda. "As ocupações vão continuar acontecendo porque infelizmente é necessário - é a única forma de mostrar para eles que não estamos brincando de fazer reforma agrária", afirmou Jaime Amorim.
Fetape - De seu lado, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) apoiou quatro ocupações em outubro, no Sertão e Zona da Mata do Estado. As áreas do Vale do São Francisco são o principal objetivo da Fetape, em função da disponibilidade de água para o plantio. "Estamos de muitas formas contribuindo para o trabalho do Governo, porque podemos evitar com isso o êxodo rural e ocupamos áreas que com certeza não serão utilizadas para plantio de drogas", argumentou o diretor de Reforma Agrária da Fetape, João Santos.
Os projetos da Fetape, entretanto, esbarram na lentidão do Incra no processo de vistoria e de providências seguintes para a fixação das famílias acampadas, segundo João Santos. "Temos um engarrafamento de áreas ocupadas hoje - são 35, com cerca de quatro mil famílias, que aguardam vistoria e assentamento há mais de um ano", disse ele.
O Incra-PE, entretanto, se diz aberto às novas demandas, dentro da disponibilidade de recursos, de acordo com sua assessoria. A delegacia do órgão em Pernambuco contabiliza 67 vistorias feitas neste ano, 525 famílias assentadas e a liberação de R$ 5,88 milhões para investimento em produção, beneficiando 3.350 famílias.


