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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 22 (AE) - A pressão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) sobre o governo vai aumentar, afirma um dos coordenadores nacionais do movimento, Gilberto Portes. Segundo ele, está é alternativa diante da lentidão da burocracia em fazer a reforma agrária. "Este ano só foram liberados 36% do orçamento previsto", disse hoje. O governo reage dizendo que os atos de violência promovidos por militantes vai isolar o movimento e reduzir o apoio da opinião pública.
Embora defenda a reforma agrária, a oposição está cautelosa. "O MST deve fazer uma reflexão", acredita o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP). "O MST precisa ter cuidado para não se isolar, toda a vez que a bandeira da reforma agrária ficou isolada veio a truculência como reação", disse ele. O PT, salientou Genoíno, não faz avaliações dos últimos atos, como a quebra de pedágios ou a ocupação da estrada em frente à fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). "São legítimas as reivindicações do MST e eles devem fazer protestos; mas queremos uma solução negociada", defendeu.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, a CUT mantém seu apoio ao MST. "Os dirigentes são maduros o suficiente para saber o que é ou não bom para a opinião pública", disse Vicentinho.
Para o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, "a opinião pública está cansada do extremismo do MST". Segundo ele, um exemplo deste distanciamento foi a posição adotada pela igreja. "A CNBB, que tem uma defesa histórica dos oprimidos e enfática defesa dos movimentos sociais, já se manifestou contra a prática de violência, como quebra de pedágios", disse o ministro.
Gilberto Portes nega o isolamento e disse que a quebra do pedágio não foi uma orientação do comando nacional do MST. "A orientação é de que todos fizessem atos simbólicos no pedágio como forma de denunciar a privatização", explicou Portes. "Esse ato envolveria pressão, liberação do trânsito, mas as regionais tem autonomia para decidir o que fazer", alegou. No caso da fazenda, segundo ele, também não se planejou o saque ao caminhão. "Naquele momento apareceu o caminhão e eles decidiram fazer o ato simbólico", afirmou.
"Os atos de pressão social são a única forma, já que o governo não dialoga, como diz que faz", afirmou Portes. "Não temos medo de perder o apoio da opinião pública porque a sociedade está vendo a crise, sabe que todos estão sofrendo", disse ele. "Violência é deixar brasileiros morrendo em baixo de lonas, sem ter o que comer."


