Brasília, 22 (AE) - O governo vai liberar nesta semana empréstimo de até R$ 2 mil por família assentada em áreas de reforma agrária, em todo o País, dispensando temporariamente a exigência de projeto detalhado de investimento e custeio. A medida atende à principal reivindicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que promoveu um acampamento na frente da fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Os sem-terra e assentados cobravam a liberação dos recursos de custeio para o plantio e desmontaram o acampamento no local ontem (20)
A decisão foi anunciada hoje após reunião de dirigentes do MST e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília. O governo vai exigir dos assentados apenas a apresentação de projetos resumidos, que poderão ser levados diretamente às agências do Banco do Brasil. Os projetos completos de investimento e custeio, para empréstimos até o teto de R$ 9.500,00 por família, deverão estar prontos até 31 de março.
"Infelizmente a reforma agrária só anda com mobilização e pressão", disse Lucídio Ravanello, um dos coordenadores nacionais do MST, afirmando que ações semelhantes à feita diante da fazenda de Fernando Henrique, em Buritis, poderão ser adotadas para pressionar o governo. "Não sei se é por lá (Fazenda Córrego da Ponte) ou outro lugar, mas ações vão acontecer se necessário."
O presidente do Incra, Orlando Muniz, no entanto, negou que a liberação de recursos, mediante a apresentação de um projeto resumido de custeio e investimento, seja resultado de pressão do MST. "Já vínhamos trabalhando a questão do crédito e os recursos estavam no Banco do Brasil", disse Muniz, que ameaçou suspender as negociações com o MST caso haja outro acampamento na frente da Fazenda Córrego da Ponte.
Pressa - A pressa em liberar os recursos estava ligada à proximidade do dia 30, data-limite para o plantio, aproveitando o período de chuvas. O Incra vai enviar agrônomos aos assentamentos para orientar os agricultores na preparação dos projetos. Segundo Muniz, no entanto, o governo não aceitou desvincular os projetos de custeio dos de investimento, como queria o MST.
O Incra vai destinar insumos, como sementes e adubo, no valor de R$ 22 mil para as famílias acampadas na Fazenda Barriguda 1 (MG), cuja desapropriação é questionada na Justiça pelo proprietário. O dinheiro vai sair do orçamento de ação social do Incra e não constitui crédito de reforma agrária, pois a área está sub judice. Amanhã técnicos do Incra devem reunir-se com o proprietário em busca de um acordo.

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