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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 22 (AE) - O presidente do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Afonso Celso Candeira Valois, informou hoje que a partir do ano que vem o governo poderá destinar recursos exclusivos para pesquisa e desenvolvimento genético no País. Conforme ele, pela primeira vez o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) traçado para o período 2000/2003 terá uma rubrica específica para esta área, de R$ 270 milhões. "Se aprovados, estes recursos deverão ser aplicados em biotecnologia agropecuária e recursos genéticos", observou.
Os recursos previstos no PPA, conforme Afonso Valois, deverão ser administrados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Até este ano, a verba destinada para pesquisa e desenvolvimento genético constava do orçamento da Embrapa. A intenção, agora, com a aprovação de verba própria no PPA, é a de aprimorar pesquisas genéticas para a melhoria da agricultura, visando maior segurança alimentar.
Afonso Valois, que está presidindo os trabalhos do seminário "Segurança Alimentar para o Terceiro Milênio", que está sendo realizado em Brasília, lembrou que a população mundial é atualmente de 6 bilhões de pessoas e que 60% do que elas consomem vem de apenas 4 produtos: arroz, milho, trigo e batata. "Isso significa que quando houver uma alteração biológica nesses produtos, haverá fome", salientou.
O Brasil, conforme o presidente do Cenargen, embora seja o país detentor da maior biodiversidade do mundo (cerca de 20%) tem metade da sua energia alimentar baseada em três espécies vindas do exterior, arroz, trigo e milho. O arroz e o trigo vêm da Asia, enquanto o milho vem da América Central. Segundo ele, a mandioca, que é originária do Brasil, contribui com apenas 7% da alimentação dos brasileiros, enquanto é o principal alimento para 200 milhões de africanos.
Em razão desse quadro, informou que a meta do Cenargen é a de estimular, através da pesquisa genética, a produção de culturas nativas no País em cerca de 50% nos próximos 10 anos, para reduzir esta dependência externa. Conforme ele, os principais recursos genéticos vegetais originários do Brasil são o amendoim, cacau, seringueira, castanha do Brasil, caju e abacaxi, entre outros.
O seminário sobre segurança alimentar se estenderá até a próxima sexta-feira. E a expectativa, segundo o presidente do Cenargen, é a de que os representantes de 45 países presentes ao encontro contribuam com novas idéias para o aprimoramento da pesquisa genética. Na programação desta terça-feira constam os seguintes temas: enriquecimento do germoplasma através de coletas, com ênfase na América Latina e no Caribe; situação da caracterização genética alimentar em países ibero-americanos; genética ecológica; coleções de culturas de microorganismos na América Latina; microorganismos relacionados à sanidade vegetal; e conservação e manejo de espécies da fauna silvestre no Brasil.


