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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 22 (AE) - Expulsos logo após o golpe militar de 1964 por motivos políticos, 19 ex-alunos da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil - atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - serão reintegrados simbolicamente pela instituição, em cerimônia hoje à noite.
A proposta de "anistia" foi aprovada por aclamação pelo Conselho Universitário, a mesma instância que, há 35 anos, decidiu, em sessões secretas, pela expulsão dos alunos. "A reparação dessa injustiça foi tardia, mas é válida", disse a ex-aluna Rachel Teixeira, atual diretora do Centro de Pesquisa da Fundação Casa de Ruy Barbosa. "Fomos os primeiros a ser cassados e os últimos a receber anistia (a Lei da Anistia foi assinada em 1979)", disse Flávio Silva, hoje funcionário do Ministério da Cultura. "Antes tarde do que nunca."
A primeira "lista negra", com nomes de nove alunos, saiu no dia 23 de abril de 1964 e a segunda, com os outros dez, em 2 de julho do mesmo ano. "O mais incrível é que não foi um ato coordenado pela junta militar que estava no poder, foi uma ação da própria universidade, totalmente irregular", lembrou Raquel, que diz nunca ter sido informada oficialmente sobre a decisão. "Ficamos sabendo pelos jornais; naquele momento a Faculdade de Filosofia representava a vanguarda do movimento estudantil." De acordo com ela, que depois formou-se em Letras na Universidade de Brasília (UnB), a maioria dos 19 alunos seguiu carreira acadêmica. O caso do ex-aluno Adir Moysés Luiz é curioso. Ele conseguiu uma bolsa do governo italiano após a expulsão, estudou no país e voltou para o Brasil em 1970. Nesse ano, foi contratado como professor de Física pela UFRJ, onde está até hoje.
Silva classifica a expulsão de "episódio sujo e lamentável". Ele lembrou que o único a questionar a legalidade do ato foi o professor de Direito Oscar Stevenson, então considerado "reacionário" pelos alunos. Ele foi voto vencido. Dos 19 ex-alunos, dois morreram. "Infelizmente, não teremos a Ieda Salles e o Elias Mansur Simão Filho para comemorar conosco essa homenagem", lamentou Raquel. A cerimônia de reintegração será aberta pelo reitor, José Henrique Vilhena.


