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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 22 (AE) - Com uma grande faixa amarela na qual se lia "Não seja cobaia", um grupo de militantes do Greenpeace entregou hoje, na Assembléia Legislativa/RS, uma abaixo-assinado com 45 mil assinaturas contra o plantio de transgênicos no Rio Grande do Sul. Vinte integrantes da organização, metade usando macações brancos com a letra X em preto, entregaram o abaixo-assinado ao presidente do Legislativo
Paulo Odone (PMDB). Foi um protesto contra um substitutivo, em tramitação na casa, que permite a semeadura de organismos geneticamente modificados no Estado.
Plantar transgênicos é proibido no Brasil por decisão da Justiça Federal. Enquanto o governo gaúcho quer tornar o Estado "área livre de transgênicos", deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB - que têm maioria no Legislativo e fazem oposição ao Executivo estadual - pretendem aprovar o substitutivo englobando cinco projetos que, entre outros itens, autoriza a semeadura de organismos geneticamente alterados no Estado.
Um dos coordenadores no Brasil da organização ambientalista internacional, Délcio Rodrigues, chamou de "golpe contra a democracia" a pretensão de votar apressadamente algo tão grave "sem uma discussão mais ampla da sociedade sobre o assunto". Rodrigues reiterou que o Greenpeace não aceita a liberação dos transgênicos antes do aprofundamento das pesquisas a respeito dos riscos que envolvem. "É precaução", assinalou.
Folheto - "Cuidado, querem invadir sua mesa com os alimentos transgênicos", advertia um folheto distribuído pelos ecologistas. O texto também enfatizava que, embora vendidos nos Estados Unidos, os alimentos geneticamente modificados estão sendo repelidos pelo consumidor europeu. Isto fez com que grandes empresas, casos da Nestlé, Unilever, Danone e Barilla e redes de supermercados, como Carrefour, Tesco, Sainbury e Iceland, anunciassem que não venderão transgênicos. Mais duas entidades, a Associação Amigos da Terra e a Associação de Donas de Casa, enviaram representantes ao protesto.
O mentor da proposta que permite o plantio de transgênicos no Estado é o deputado Onix Lorenzoni (PFL), para quem é necessário "respeitar a liberdade de escolha do produtor". O substitutivo quase foi aprovado na semana passada mas os partidos que apóiam o governo gaúcho - PT, PSB, PDT e PC do B -conseguiram impedir a votação. O parlamentar do PFL acha que, embora esteja vetado legalmente o cultivo deste tipo de semente, o Estado poderia aprovar uma legislação para permitir rapidamente sua semeadura se a sentença judicial for alterada em segunda instância.
Ao receber os representantes do Greenpeace, o presidente da AL disse que "pessoalmente" não vê necessidade de tratar o tema com tanta pressa. Odone voltou de viagem da Europa onde, segundo descreveu, existe uma forte rejeição aos alimentos transgênicos. E sugeriu que o assunto seja tratado sem passionalismo. Na avaliação do Executivo gaúcho, a declaração do Rio Grande do Sul como área livre de transgênicos poderia assegurar maior segurança alimentar e ecológica, além de propiciar futuros negócios com países importadores de alimentos não-transgênicos.


